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Economia

Filho de Trump financia empresa que quer terras raras no sul de Minas Gerais

Por Brasil no Centro Publicado em 25 de setembro de 2026 às 16:01 3 min de leitura
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Filho de Trump financia empresa que quer terras raras no sul de Minas Gerais

As terras raras do sul de Minas Gerais podem integrar uma cadeia industrial que termina em uma fábrica de ímãs nos Estados Unidos financiada por um fundo do qual Donald Trump Jr., filho do presidente americano, é sócio. A conexão envolve o Projeto Caldeira, da mineradora australiana Meteoric Resources, nos municípios de Andradas, Caldas e Poços de Caldas. A extração comercial ainda não começou e os entendimentos entre as empresas não representam, por enquanto, uma venda definitiva da produção mineira.

O caminho projetado passa por três companhias. A Meteoric pretende produzir um concentrado de terras raras em Minas Gerais. A canadense Ucore Rare Metals planeja receber parte desse material para separar os elementos em sua unidade na Louisiana. A americana Vulcan Elements, por sua vez, firmou um memorando com a Ucore para desenvolver o fornecimento de insumos destinados à fabricação de ímãs. A 1789 Capital, que tem Trump Jr. entre seus sócios, investiu na Vulcan.

O primeiro entendimento da cadeia foi anunciado em 2024. Meteoric e Ucore assinaram um memorando que prevê o fornecimento anual de material equivalente a 3 mil toneladas de óxidos de terras raras do Projeto Caldeira para processamento nos Estados Unidos. Em março deste ano, Ucore e Vulcan anunciaram outro memorando, voltado à criação de uma cadeia americana de ímãs para aplicações industriais e de defesa. Esses documentos indicam a intenção de fazer negócios, sujeita ao avanço dos projetos e das negociações comerciais.

A Meteoric já realizou testes em uma planta piloto e enviou amostras a possíveis compradores, segundo informações divulgadas pela empresa e reunidas pela Folha de S.Paulo. O projeto, porém, ainda precisa avançar no licenciamento para que a mina seja implantada. A licença prévia concedida em Minas Gerais não autoriza, por si só, o início da exploração comercial.

O interesse internacional pelo minério ocorre no momento em que o Brasil tenta definir como aproveitar economicamente suas reservas. Sancionada em 16 de setembro, a Lei nº 15.506 instituiu a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A discussão sobre eventuais contratos de fornecimento do Caldeira, portanto, envolve também a capacidade brasileira de participar das etapas de processamento e fabricação de produtos de maior valor.

Nos Estados Unidos, a ligação da Vulcan com a família Trump também atraiu atenção. O investimento da 1789 Capital ocorreu antes do anúncio de um empréstimo de US$ 620 milhões do governo americano à fabricante de ímãs. A empresa, o fundo e autoridades americanas negaram que a relação política tenha influenciado a decisão, segundo a apuração da ProPublica. Isso não significa que Donald Trump Jr. tenha participação direta no Projeto Caldeira ou seja proprietário das terras em Minas Gerais.

Procuradas pela Folha, Meteoric, Ucore e Vulcan não haviam respondido até a publicação da reportagem original. As próximas etapas do licenciamento e a eventual assinatura de contratos definitivos deverão mostrar quanto do material extraído em Minas será processado no exterior e qual espaço a indústria brasileira terá nessa cadeia.