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Flávio e Michelle têm ligação com bispo que defendeu retirar título de Aparecida

Por Brasil no Centro Publicado em 30 de setembro de 2026 às 15:48 3 min de leitura
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Flávio e Michelle têm ligação com bispo que defendeu retirar título de Aparecida

Flávio Bolsonaro (PL) e Michelle Bolsonaro (PL) mantêm vínculos com a Comunidade das Nações, igreja fundada pelo bispo JB Carvalho, que defendeu em um livro a retirada do reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. A posição do religioso foi publicada em 2001 e voltou ao debate público na reta final da eleição presidencial.

A relação com o bispo, entretanto, não comprova adesão dos candidatos às suas posições. Flávio nega que pretenda alterar o título da santa, e não há evidência de que tenha defendido a proposta registrada por Carvalho.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, Flávio e sua mulher, Fernanda Bolsonaro, foram batizados na Comunidade das Nações, em Brasília, em janeiro de 2024. Em dezembro de 2025, poucos dias depois de anunciar sua pré-candidatura à Presidência, o senador escolheu a igreja para uma de suas primeiras aparições públicas após o anúncio.

Michelle também frequenta a comunidade e é próxima de Dirce Carvalho, mulher do bispo. Durante a campanha presidencial de 2022, participou de eventos da igreja e foi ungida por JB Carvalho. Jair Bolsonaro (PL), então presidente, compareceu naquele ano a uma conferência organizada pela instituição.

A posição sobre Aparecida aparece no livro “A Bomba: A verdade pode ser explosiva”. Em um capítulo dedicado ao tema, Carvalho critica a devoção católica a Maria, questiona o feriado de 12 de outubro e convoca cristãos e parlamentares a se mobilizarem para mudar o reconhecimento da santa como padroeira nacional.

Na doutrina católica, a veneração a Maria é distinta da adoração, reservada a Deus.

Outras obras do bispo foram levadas por familiares a Jair Bolsonaro durante visitas à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Flávio apareceu com “Metanoia”, enquanto Michelle levou livros sobre reconciliação e formação masculina. A reportagem não identifica nesses volumes a defesa da mudança do título de Aparecida.

A controvérsia também retomou uma proposta apresentada em 2007 por Victório Galli (PP), hoje candidato a deputado federal por Mato Grosso. O projeto pretendia substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. A iniciativa foi arquivada em 2008.

À Folha, Galli afirmou que não pretendia ofender os católicos e desvinculou Flávio da proposta. Também atribuiu à esquerda a retomada do assunto durante a campanha.

Outro episódio que alimentou a discussão foi uma declaração do presidenciável sobre decretar que o Brasil pertence a Jesus Cristo caso seja eleito. Questionada sobre o significado da fala, sua campanha afirmou que se tratava de uma referência a uma oração antes da leitura do termo de posse.

A equipe classificou o gesto como simbólico e declarou que Flávio defende o respeito a todas as religiões e formas de manifestação da fé.

A informação de que o candidato retiraria o título de Nossa Senhora Aparecida circulou nas redes sociais e foi contestada por sua campanha na Justiça Eleitoral. A relação com Carvalho e o conteúdo do livro de 2001 são fatos distintos da alegação de que essa mudança integra o programa do presidenciável.

Segundo a Folha, as assessorias de Flávio e Michelle não responderam aos questionamentos específicos sobre a relação com o religioso até a publicação da reportagem. O bispo também não respondeu ao pedido de esclarecimentos sobre suas posições.