Flávio faz primeira live nos EUA atacando o STF e questionando as eleições
Após deixar o Brasil descumprindo ordem judicial, senador critica instituições, volta a levantar suspeitas sem provas sobre a eleição e explica decisão de viajar aos Estados Unidos.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) realizou nesta sexta-feira (30) sua primeira transmissão ao vivo desde que deixou o Brasil e chegou aos Estados Unidos, poucos dias após ser derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. Durante a live, o parlamentar voltou a atacar o Supremo Tribunal Federal (STF), questionou a legitimidade do resultado eleitoral e afirmou que decidiu sair do país depois de receber uma intimação da Polícia Federal para entregar seus passaportes.
A transmissão marcou a primeira manifestação em vídeo do senador desde sua chegada ao território americano. Flávio relatou que recebeu a intimação na manhã de segunda-feira (26), quando deixava a residência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em Brasília. Segundo ele, a determinação judicial foi decisiva para sua escolha de viajar ao exterior.
A ordem de entrega dos documentos foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, após solicitação da Polícia Federal. Além da apreensão dos passaportes, a decisão estabeleceu restrições de deslocamento e proibiu o senador de deixar o território nacional.
Apesar da determinação, Flávio saiu do Brasil na terça-feira (27), utilizando uma rota terrestre em direção à Argentina antes de embarcar para os Estados Unidos. O parlamentar chegou a Miami na quarta-feira (28), acompanhado de familiares.
Em nota divulgada após a saída do senador, a Polícia Federal informou que os passaportes brasileiros de Flávio haviam sido cancelados e que não existia registro oficial de sua passagem pelos controles migratórios nacionais. A corporação também confirmou a abertura de procedimentos para apurar as circunstâncias do descumprimento das medidas cautelares.
Durante a transmissão, Flávio procurou justificar a decisão de deixar o país alegando preocupação com sua situação jurídica e com a possibilidade de sofrer novas restrições impostas pelo Judiciário. O senador afirmou que a viagem foi uma maneira de preservar sua capacidade de manifestação política.
Ao comentar o cenário institucional brasileiro, o parlamentar fez duras críticas ao funcionamento da Justiça e acusou integrantes do sistema judicial de proteger determinadas pessoas enquanto perseguem adversários políticos.
Flávio afirmou que as instituições brasileiras estariam aparelhadas e questionou a atuação de autoridades judiciais. As acusações foram apresentadas sem a divulgação de elementos que comprovassem as irregularidades apontadas.
O senador também retomou os questionamentos sobre a eleição presidencial de 25 de outubro. Segundo ele, determinados acontecimentos durante a votação seriam difíceis de explicar e indicariam possíveis irregularidades no processo eleitoral.
As declarações repetem suspeitas levantadas pelo candidato desde a divulgação do resultado do segundo turno, quando Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. A diferença entre os dois candidatos superou 4,4 milhões de votos.
Até o momento, o senador não apresentou provas capazes de demonstrar fraude eleitoral ou comprometer a validade do resultado. O próprio Partido Liberal reconheceu oficialmente a vitória de Lula, contrariando as manifestações do seu candidato presidencial.
Um dos principais argumentos utilizados por Flávio para questionar o pleito foi a ampliação do horário de votação em determinadas seções eleitorais. A medida, autorizada durante o segundo turno, provocou controvérsias sobre sua comunicação e execução.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entretanto, informou que a quantidade de votos registrados após as 17h foi insuficiente para alterar o resultado. Segundo os dados oficiais, aproximadamente 34 mil votos foram computados nesse período, número muito inferior à diferença entre os candidatos.
A contestação da eleição também provocou divergências dentro do campo político de Flávio Bolsonaro. Integrantes do PL manifestaram preocupação com a continuidade dos questionamentos, especialmente diante do reconhecimento do resultado pela direção nacional da legenda.
Na quarta-feira (28), antes da realização da live, o senador havia divulgado uma carta nas redes sociais em que se apresentava inicialmente como o verdadeiro presidente eleito do Brasil. Após a repercussão, o texto foi alterado, passando a utilizar a expressão “líder do Brasil”.
O documento também continha acusações de irregularidades eleitorais e críticas ao Judiciário brasileiro. A publicação contribuiu para ampliar as divergências entre o discurso adotado pelo senador e a posição oficial de integrantes de seu próprio partido.
Flávio permanece nos Estados Unidos enquanto a Polícia Federal investiga as circunstâncias de sua saída do território nacional. O parlamentar também é investigado em procedimentos relacionados a suspeitas de crimes financeiros, cujas apurações tramitam no Supremo Tribunal Federal.
A corporação esclareceu que a existência de restrições judiciais e o descumprimento de determinações relacionadas a documentos de viagem não autorizam, isoladamente, a classificação automática de uma pessoa como foragida nem a adoção de medidas de prisão sem fundamento legal específico.
A permanência do senador em território americano também passou a integrar o debate político após a confirmação de que o governo do presidente Donald Trump autorizou sua entrada no país, juntamente com familiares.
Durante a transmissão de sexta-feira, Flávio também manifestou apoio à candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado Federal, indicando que pretende continuar participando das articulações da oposição brasileira mesmo fora do país.
A movimentação ocorre em um momento de reorganização das forças políticas para a próxima legislatura. O PL terá uma das maiores bancadas do Congresso a partir de 2027 e busca ampliar sua influência sobre a pauta legislativa e o comando do Senado.
Com a primeira live realizada nos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro retomou publicamente as críticas ao STF e os questionamentos sobre sua derrota eleitoral, enquanto permanecem em andamento as investigações relacionadas à sua saída do Brasil e ao descumprimento das determinações judiciais.