Governo Lula quer mudar cálculo da inflação e maquiar resultados

Ministro da Fazenda defende atualização na metodologia do IPCA e abertura de debate sobre indicadores econômicos em meio ao avanço da inflação no país

Governo Lula quer mudar cálculo da inflação e maquiar resultados

O debate sobre a medição oficial da inflação no Brasil voltou ao centro das discussões econômicas após declarações do Ministério da Fazenda indicando a necessidade de revisão na metodologia utilizada para o cálculo do índice.

Em entrevista ao podcast da Warren Investimentos, o ministro da Fazenda, Dario Durigan (PT), afirmou que especialistas vêm apontando defasagens na composição atual dos índices de preços utilizados no país. Segundo ele, o modelo vigente ainda atribui peso elevado a itens que perderam relevância no consumo das famílias, enquanto novos serviços e produtos digitais passaram a ter maior impacto no orçamento doméstico.

Durigan citou como exemplo o crescimento de gastos com serviços digitais, como plataformas de streaming e soluções em nuvem, que segundo ele já possuem influência maior no consumo atual do que itens tradicionalmente presentes na metodologia do índice.

A entrevista, gravada na sexta-feira (12) e divulgada na segunda-feira (15), também abordou a possibilidade de revisão de outros indicadores econômicos, como o boletim Focus do Banco Central, que reúne projeções do mercado financeiro.

Apesar de defender o debate sobre atualização dos indicadores, o ministro afirmou que não há intenção de alterar a meta de inflação, atualmente fixada em 3%. Segundo ele, o modelo de meta contínua ainda está em processo de adaptação por parte do mercado e de analistas econômicos.

A discussão ocorre em um momento em que os dados mais recentes mostram pressão sobre os preços. O IPCA, índice oficial da inflação, registrou alta de 0,58% em maio, após avanço de 0,67% em abril, segundo o IBGE. No acumulado de 12 meses até maio, a inflação chegou a 4,72%, ultrapassando o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, de 4,5%.

O cenário também reacendeu debates sobre política monetária e juros. Em meio às discussões, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) defendeu a adoção de modelos internacionais, como o utilizado pelo Federal Reserve nos Estados Unidos, que considera recortes específicos de inflação ao formular suas decisões.

Durigan também comentou o ambiente macroeconômico, destacando fatores como volatilidade cambial e baixo nível de poupança interna como elementos que influenciam o custo do crédito no país. Segundo ele, esses fatores contribuem para o chamado prêmio de risco exigido pelo mercado brasileiro.

O ministro ainda afirmou que a política fiscal precisa avançar no controle de despesas obrigatórias para ampliar espaço para investimentos públicos. Ele reforçou que o governo pretende atuar para evitar a aprovação de medidas com impacto elevado nas contas públicas no Congresso Nacional, as chamadas pautas-bomba, que segundo estimativas da equipe econômica podem somar mais de R$ 111 bilhões ao ano.