Jorge Lopes Cançado: “PSDB: 38 anos do partido que transformou o Brasil e o caminho para reconstruir a esperança”

Em artigo, Jorge Lopes Cançado celebra os 38 anos do PSDB, destaca o legado do Plano Real, da responsabilidade fiscal e da modernização do Estado e aponta a reconstrução do centro democrático como caminho para o Brasil em 2026.

Jorge Lopes Cançado: “PSDB: 38 anos do partido que transformou o Brasil e o caminho para reconstruir a esperança”

Por Jorge Lopes Cançado

No dia 25 de junho de 1988, o Brasil assistiu ao nascimento de uma das forças políticas mais importantes da sua história democrática. Em meio ao processo de redemocratização, lideranças como Franco Montoro, Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso, Pimenta da Veiga, José Richa, José Serra e tantos outros apresentaram ao país um partido criado para modernizar a política, defender a democracia, combater o atraso e oferecer ao Brasil um caminho de responsabilidade, diálogo e transformação.

A frase de Franco Montoro, inscrita no espírito fundador do PSDB, segue atual: “longe das benesses oficiais, mas perto do pulsar das ruas”. Ela resume uma vocação que nunca deveria sair do centro da vida pública brasileira: a política como instrumento de serviço, não de acomodação; como espaço de ideias, não de ressentimento; como ponte entre o Estado e o cidadão, não como trincheira de vaidades.

Ao completar 38 anos, o PSDB olha para a própria história com orgulho, mas também com senso de responsabilidade. O Brasil de 2026 está cansado de gritos, radicalismos e falsas escolhas. De um lado e de outro, os extremos tentam reduzir o debate nacional a uma guerra permanente. Enquanto isso, o cidadão comum pede segurança, emprego, renda, estabilidade, serviços públicos melhores e governos capazes de entregar resultados concretos.

É exatamente nesse ponto que a trajetória tucana volta a ter enorme relevância. O PSDB não nasceu para ser espectador da história. Nasceu para enfrentar problemas reais. Nasceu para formular, governar e realizar. Nasceu para provar que responsabilidade fiscal e sensibilidade social não são ideias opostas, mas partes inseparáveis de um mesmo projeto nacional.

Nenhum legado expressa melhor essa vocação do que o Plano Real. Sob a liderança de Fernando Henrique Cardoso, o Brasil venceu a hiperinflação, recuperou a confiança na moeda e devolveu às famílias brasileiras algo que havia sido sequestrado por anos de descontrole econômico: a possibilidade de planejar a própria vida. Para milhões de trabalhadores, a estabilidade não foi uma abstração técnica. Foi comida na mesa, salário preservado, orçamento possível e dignidade recuperada.

Depois disso, o país avançou em reformas que continuam sustentando a vida institucional brasileira. A Lei de Responsabilidade Fiscal estabeleceu um novo padrão de seriedade na administração pública. O Fundef reorganizou o financiamento da educação básica e ajudou a colocar o ensino fundamental no centro das prioridades nacionais. A política dos medicamentos genéricos ampliou o acesso da população a tratamentos mais baratos e fortaleceu a concorrência no setor farmacêutico. Em todos esses casos, a marca tucana foi a mesma: enfrentar o problema, construir solução e deixar legado.

Nos estados, essa cultura de gestão também produziu experiências que marcaram gerações. Em São Paulo, o Poupatempo se tornou símbolo de um Estado mais simples, eficiente e próximo do cidadão, enquanto obras estruturantes ajudaram a modernizar a logística e a mobilidade da maior economia do país. Em Minas Gerais, o Choque de Gestão liderado por Aécio Neves reorganizou a máquina pública, colocou metas no centro da administração e mostrou que equilíbrio fiscal é condição para investimento e desenvolvimento. Em Goiás, as gestões pioneiras de Marconi Perillo criaram programas que serviram de espinha dorsal para as futuras políticas federais: o Renda Cidadã, precursor direto do Bolsa Família, e o Bolsa Universitária, que inspirou o ProUni. No Ceará, Tasso Jereissati e Ciro Gomes romperam com o ciclo do coronelismo e das práticas oligárquicas e inauguraram um período de modernização administrativa, infraestrutura e inovação social.

O PSDB não precisa mitificar a própria história para reconhecer a sua grandeza. Como todo partido que governou, acertou, errou, aprendeu e atravessou crises. Mas poucos partidos podem apresentar ao Brasil uma contribuição tão concreta para a estabilidade econômica, a gestão pública, a educação, a saúde, a modernização do Estado e a defesa da democracia. O legado tucano não está apenas nos livros de história. Está na vida cotidiana de quem usa serviços públicos mais eficientes, de quem compra remédio mais barato, de quem viveu a transição de um país corroído pela inflação para uma nação capaz de planejar o futuro.

Mas aniversário não é apenas celebração. É também compromisso. E o PSDB chega aos 38 anos com uma tarefa histórica: reconstruir o centro democrático brasileiro, recuperar a confiança do eleitor e oferecer uma alternativa viável a um país que não aguenta mais ser governado pela lógica da divisão.

Essa reconstrução já está em curso. No Congresso Nacional, a bancada tucana participa de debates decisivos para a segurança institucional e econômica do país. Sob a relatoria do senador Plínio Valério, a PEC 65/2023 avançou no Senado com uma proposta de autonomia orçamentária e financeira para o Banco Central, além de incluir a proteção constitucional do Pix. Trata-se de uma agenda moderna, diretamente ligada à estabilidade do sistema financeiro, à segurança dos meios de pagamento e à proteção de um instrumento que se tornou parte da vida diária de milhões de brasileiros.

Ao mesmo tempo, o partido recupera musculatura política. Sob a liderança nacional de Aécio Neves, o PSDB reorganizou sua presença no Parlamento, fortaleceu a Federação PSDB-Cidadania e ampliou a bancada da Federação na Câmara dos Deputados de 13 para 20 deputados. A meta de eleger mais de 35 deputados federais em 2026 não é apenas um cálculo eleitoral. É uma estratégia de sobrevivência institucional, mas também de retomada de protagonismo. Sem bancada forte, não há agenda forte. Sem presença no Congresso, não há reforma possível.

Essa reorganização nacional também ganha força nos estados. No Ceará, Ciro Gomes voltou ao PSDB e se apresenta como uma das principais lideranças do partido para recolocar a experiência administrativa, a segurança pública e o enfrentamento ao avanço das facções criminosas no centro do debate. Em Alagoas, JHC simboliza a renovação geracional e a capacidade de o PSDB atrair lideranças com força popular, comunicação direta e experiência concreta de administração. No Tocantins, Vicentinho representa a aposta tucana em uma nova geração de líderes, com uma agenda conectada ao Brasil produtivo, ao agronegócio, à infraestrutura e ao desenvolvimento regional. Em Goiás, Marconi Perillo reúne experiência, memória administrativa e capacidade de articulação política. Sua pré-candidatura recoloca no debate goiano uma marca de governo associada à inovação social, à interiorização do desenvolvimento e à construção de políticas públicas que ultrapassaram as fronteiras estaduais.

No plano nacional, o convite da Federação PSDB-Cidadania para que Aécio Neves considere uma pré-candidatura à Presidência da República recoloca o PSDB no debate sobre o futuro do país. Mais do que um nome, o que está em discussão é um projeto. Um projeto de pacificação, estabilidade fiscal, responsabilidade social, reformas inteligentes e retomada da racionalidade política. O Brasil não precisa de uma terceira via artificial. Precisa de uma via real, com história, quadros, experiência e coragem para enfrentar os problemas que os extremos preferem explorar.

Aos 38 anos, o PSDB tem o dever de falar novamente ao coração do brasileiro. Não com nostalgia vazia, mas com a autoridade de quem já ajudou o país a vencer desafios gigantescos. O partido que enfrentou a inflação pode ajudar o Brasil a enfrentar a desordem fiscal. O partido que modernizou serviços públicos pode ajudar o Estado a voltar a funcionar para as pessoas. O partido que nasceu defendendo a democracia pode ajudar o país a reencontrar o caminho do diálogo.

O futuro do Brasil não será construído por quem vive de incendiar pontes. Será construído por quem tem coragem de reconstruí-las. O PSDB chega aos 38 anos com a força do seu legado, a responsabilidade dos seus erros, a experiência dos seus quadros e a missão de recolocar o Brasil no centro do debate.

Porque, quando o Brasil se perde entre extremos, é o centro democrático que precisa ter voz. E quando o país procura estabilidade, esperança e futuro, a história mostra que o PSDB sempre teve muito a oferecer.

Jorge Lopes Cançado é sócio da Excelsior Comunicação Digital, psicanalista e especialista em marketing político, com experiência na análise de cenários e na criação de narrativas estratégicas para partidos e lideranças políticas