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Kassab centraliza negociações do PSD e marca posição diante do novo governo Lula

Presidente do PSD orienta aliados a não negociar cargos antes de reunião com Lula. Partido admite participar do governo, mas defende independência nas votações do Congresso.

Por Brasil no Centro Publicado em 29 de outubro de 2026 às 15:11 6 min de leitura
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Kassab centraliza negociações do PSD e marca posição diante do novo governo Lula

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab (PSD), determinou que integrantes do partido não iniciem negociações individuais por cargos no governo federal antes de uma conversa direta com o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A orientação foi transmitida aos dirigentes da legenda em meio às articulações para a formação da equipe ministerial que assumirá em janeiro de 2027.

A decisão ocorre após interlocutores do Palácio do Planalto procurarem Kassab para manifestar o interesse de Lula em discutir a participação do PSD no quarto mandato presidencial. Segundo informações publicadas nesta quinta-feira (29) pela jornalista Bela Megale, em O Globo, o encontro entre os dois deverá ocorrer na próxima semana.

A movimentação faz parte da aproximação do governo com partidos de centro, considerados importantes para a construção de maiorias no Congresso Nacional após as eleições de outubro.

Entre os integrantes do governo que procuraram Kassab está o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), filiado à legenda e integrante da atual administração federal.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também participou das conversas com o dirigente partidário. Já o senador Camilo Santana (PT), que ganhou destaque na coordenação da campanha presidencial durante o segundo turno, estabeleceu contatos com parlamentares do PSD.

As iniciativas ocorreram depois que Lula orientou aliados a intensificar o diálogo com dirigentes de partidos que não participaram integralmente de sua campanha de reeleição.

De acordo com o Metrópoles, a determinação foi apresentada durante uma reunião realizada na terça-feira (27), em Brasília, com ministros e integrantes da equipe política que participaram da campanha presidencial.

Na ocasião, o presidente solicitou que seus interlocutores procurassem lideranças partidárias para abrir conversas sobre a composição do novo governo. Kassab esteve entre os primeiros dirigentes procurados.

A aproximação ocorre em circunstâncias particulares para o PSD.

O partido lançou o então governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), como candidato à Presidência da República no primeiro turno. Após sua eliminação, Caiado declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL), mas a direção nacional decidiu não apoiar oficialmente nenhum dos dois candidatos na etapa decisiva.

A neutralidade permitiu que dirigentes estaduais e parlamentares adotassem posições diferentes durante a disputa entre Lula e Flávio.

A decisão também preservou canais de diálogo com a campanha petista, em contraste com outras legendas de centro que formalizaram apoio ao candidato do PL.

Durante o segundo turno, Kassab manteve conversas com representantes do PT e autorizou a interlocução com lideranças regionais do PSD, sem estabelecer um compromisso nacional de apoio eleitoral.

Após a vitória de Lula, o dirigente passou a defender publicamente a colaboração institucional com o governo, mas sem vincular a atuação de seus parlamentares à ocupação de cargos na administração federal.

Na terça-feira (27), durante um evento em Brasília, Kassab afirmou que o PSD pretende apoiar medidas governamentais consideradas positivas para o país e divergir das propostas com as quais não concordar.

O dirigente também declarou que a escolha dos ministros é uma atribuição do presidente da República e que a presença de filiados da legenda no Executivo não deve determinar automaticamente o comportamento de sua bancada no Legislativo.

A manifestação ocorreu em meio às primeiras conversas sobre a reorganização da Esplanada dos Ministérios.

Embora tenha afastado publicamente a negociação de cargos em troca de apoio parlamentar, Kassab não descartou a participação de integrantes do PSD no próximo governo. A legenda já ocupa espaços na administração federal e mantém interlocução com diferentes setores do Palácio do Planalto.

O partido atualmente comanda três ministérios, incluindo o de Minas e Energia, ocupado por Alexandre Silveira.

A continuidade desses espaços e a eventual participação de outros filiados dependerão das definições que serão tomadas por Lula durante a reorganização ministerial.

A orientação de Kassab estabelece que qualquer conversa sobre a distribuição de responsabilidades no Executivo deverá passar inicialmente pelo comando nacional da legenda.

Até o momento, não há anúncio de novas indicações ministeriais do PSD nem confirmação de que o partido assumirá outras pastas em 2027.

A expectativa é que o encontro previsto para a próxima semana permita aos dois dirigentes discutir a relação entre o futuro governo e a bancada partidária.

As articulações ocorrem em um momento de mudanças no cenário político nacional.

A reeleição de Lula foi acompanhada pelo fortalecimento da direita nas eleições legislativas. O PL conquistou a maior bancada da Câmara dos Deputados e ampliou sua representação no Senado, enquanto partidos de centro preservaram posições relevantes nas duas Casas.

A nova composição exigirá negociações para a aprovação de projetos e medidas que dependem de maioria parlamentar.

Entre os temas que deverão mobilizar o Congresso estão o Orçamento de 2027, as propostas de ampliação de programas sociais, a política fiscal e as mudanças administrativas anunciadas durante a campanha.

O governo também precisará definir a distribuição de ministérios entre integrantes do PT, aliados históricos e partidos que poderão participar de uma nova base parlamentar.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, dirigentes de legendas de centro já discutem a possibilidade de ampliar sua participação no Executivo, embora parte dessas siglas tenha apoiado Flávio Bolsonaro no segundo turno.

No caso do PSD, a interlocução também envolve a definição de uma posição política para o novo mandato.

Kassab tem defendido que a legenda preserve sua capacidade de apoiar ou rejeitar propostas de acordo com seu programa partidário, independentemente da participação de filiados na administração federal.

Essa orientação permite que o partido mantenha diálogo com o governo sem assumir, necessariamente, compromisso de acompanhar todas as decisões do Executivo nas votações legislativas.

Do lado do Palácio do Planalto, a aproximação com dirigentes de centro integra a preparação para um mandato que começará em janeiro de 2027, em um Congresso com composição diferente daquela observada durante os quatro anos anteriores.

Além do PSD, o governo deverá manter conversas com representantes do MDB, União Brasil, PP e outras legendas com participação relevante no Legislativo.

A reunião entre Lula e Kassab ainda não tem resultado definido. A expectativa é que o encontro avance nas discussões sobre a relação institucional entre o governo e o PSD, sem que isso represente, por enquanto, a confirmação de novas nomeações.

Com a determinação de concentrar as conversas na direção nacional, Kassab estabelece o procedimento pelo qual o partido pretende participar das negociações políticas para o próximo mandato presidencial.