
O comentário do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, de que seria “ótimo” se o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), alcançasse 15% dos votos na disputa presidencial de 2026 gerou desconforto nos bastidores da campanha. A fala de Kassab, que indicou uma visão mais pragmática sobre o papel da candidatura de Caiado, foi interpretada por aliados como uma sinalização de que a campanha pode servir mais como uma barganha para o segundo turno do que como uma verdadeira disputa pelo Palácio do Planalto.
Durante sua participação no 12º Fórum Anual de Investimentos do Bradesco BBI, Kassab afirmou que a presença de Caiado na eleição é importante como uma alternativa à polarização política no país. Porém, ele também sugeriu que, caso não consiga avançar para o segundo turno, o ex-governador ainda assim teria um papel relevante no processo eleitoral. Kassab completou dizendo que, mesmo não avançando para a segunda fase, “ter 15% seria ótimo”, destacando a capacidade de influenciar o resultado final da eleição.
Nos bastidores da pré-campanha de Caiado, a reação a essas declarações foi de preocupação. Para aliados próximos, a mensagem de Kassab contraria a tentativa de posicionar Caiado como uma verdadeira opção competitiva no cenário nacional. A estratégia, defendem, deve ser mais ousada, com a campanha deixando claro desde o início que o objetivo é avançar para o segundo turno e vencer a eleição, e não apenas marcar presença na disputa.
Apesar do desconforto gerado, Ronaldo Caiado tem evitado aumentar a tensão interna. Em declarações públicas, ele minimizou o episódio e reafirmou seu compromisso com a construção da candidatura presidencial, afirmando que o início do movimento representa uma “arrancada” e que ele tem total confiança de que pode romper a polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Caiado permanece confiante na sua capacidade de disputar o segundo turno e não esconde sua ambição de vencer a eleição e governar o Brasil. “Eu vou para o segundo turno, vou ganhar do Lula e vou governar o Brasil”, disse o ex-governador em recente entrevista.