Kassab recalcula rota e teme ser abandonado por Tarcísio em 2026

Kassab recalcula rota e teme ser abandonado por Tarcísio em 2026
Presidente do PSD busca mandato próprio para não depender do governador e redesenha alianças no tabuleiro paulista e nacional

A incerteza sobre o futuro político do governador Tarcísio de Freitas tem levado Gilberto Kassab a recalcular sua estratégia para 2026. Secretário de Governo de São Paulo e presidente nacional do PSD, Kassab passou a se movimentar para garantir protagonismo próprio e reduzir a dependência das decisões do Palácio dos Bandeirantes.

Nos bastidores, aliados relatam que Kassab teme ser deixado de lado após ter sido peça-chave na vitória de Tarcísio em 2022. A avaliação é de que o governador não demonstra entusiasmo com os projetos do dirigente do PSD, o que acendeu um sinal de alerta no núcleo político do secretário.

Diante desse cenário, Kassab decidiu anunciar que deixará o cargo no governo estadual até abril, movimento interpretado como um passo claro rumo à disputa eleitoral. O objetivo é voltar a ter mandato — seja no Executivo ou no Legislativo — e não ficar restrito a nomeações ou ao jogo de forças no entorno do governador.

O distanciamento entre Kassab e Tarcísio não é recente. Desde o início do mandato, o governador se aproximou mais do vice, Felício Ramuth, enquanto Kassab perdeu espaço nas articulações centrais do governo. Hoje, o principal interlocutor político de Tarcísio com a Assembleia Legislativa é o chefe da Casa Civil, Arthur Lima, o que reduziu ainda mais o raio de influência do secretário de Governo.

Para evitar um racha no campo da centro-direita em São Paulo, aliados tentam costurar saídas que contemplem Kassab. Entre os cenários discutidos, estão a possibilidade de ele disputar o Senado com apoio do governador ou integrar a chapa majoritária de 2026. O problema é que os planos do entorno de Tarcísio não parecem incluir Kassab como prioridade.

Se o governador disputar a reeleição, a tendência é manter Ramuth como vice. Caso Tarcísio concorra à Presidência, a ideia seria lançar o atual vice ao governo paulista. Nenhuma das hipóteses atende diretamente às ambições de Kassab, o que reforça a busca por alternativas.

Uma das soluções aventadas nos bastidores envolve uma engenharia política mais complexa, com a eventual saída de Ramuth do PSD para outro partido, abrindo espaço para Kassab ocupar a vice. O desenho, porém, é considerado delicado e potencialmente traumático dentro da atual aliança.

No plano nacional, as incertezas também pesam. Caso Tarcísio permaneça em São Paulo, cresce a possibilidade de Kassab adotar postura independente na eleição presidencial. Lideranças avaliam que o PSD pode lançar candidatura própria, como a de Ratinho Júnior ou Eduardo Leite, ou até manter neutralidade em um eventual segundo turno.

O movimento mostra que Kassab não pretende ficar à margem das decisões estratégicas de 2026. Ao recalcular sua rota, ele sinaliza que está disposto a reposicionar o PSD e a si próprio, mesmo que isso signifique tensionar a relação com Tarcísio e reconfigurar o equilíbrio da centro-direita.