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Lula articula Pacheco no STF e avalia Gleisi Hoffmann para vaga no TCU

Presidente reeleito negocia mudanças nas duas Cortes com apoio de Davi Alcolumbre. Indicação de Pacheco poderá abrir espaço para Gleisi após derrota eleitoral no Paraná.

Por Brasil no Centro Publicado em 28 de outubro de 2026 às 15:42 7 min de leitura
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Lula articula Pacheco no STF e avalia Gleisi Hoffmann para vaga no TCU

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acelerou as articulações para mudanças na composição de duas importantes instituições de Brasília. O governo trabalha com a possibilidade de indicar o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB) ao Supremo Tribunal Federal (STF) e avalia apoiar a ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT) para uma eventual vaga no Tribunal de Contas da União (TCU).

As negociações envolvem diretamente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), um dos principais defensores da escolha de Pacheco para o Supremo. A movimentação também pode representar uma alternativa política para Gleisi, que não conseguiu se eleger senadora pelo Paraná nas eleições de outubro.

Segundo informações publicadas nesta quarta-feira (28) pelo jornalista Gustavo Uribe, da CNN Brasil, Lula pretende encaminhar a indicação de Pacheco ao STF em novembro. A expectativa entre aliados é que a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado ocorra no início de dezembro.

O nome de Pacheco voltou a ganhar força após a reeleição presidencial. O ex-senador mineiro é considerado um interlocutor próximo de Alcolumbre e mantém relações políticas com representantes de diferentes partidos, incluindo integrantes da oposição.

A articulação busca preencher a cadeira deixada por Luís Roberto Barroso, que se aposentou antecipadamente do Supremo em outubro de 2025.

A vaga permanece aberta depois que o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União e primeira escolha de Lula para substituir Barroso.

A resistência ao nome de Messias provocou um desgaste entre o Palácio do Planalto e a Presidência do Senado. Alcolumbre defendia a indicação de Pacheco e participou das negociações que antecederam a votação.

Agora, a possível escolha do ex-presidente do Congresso é tratada por interlocutores políticos como uma oportunidade de recompor a relação entre os dois Poderes.

A indicação, entretanto, ainda não foi oficialmente anunciada pelo presidente. Rádio Itatiaia+1

Rodrigo Pacheco assumiu o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União em 30 de setembro deste ano, depois de ter seu nome aprovado pelo Senado e pela Câmara dos Deputados.

A escolha ocorreu para preencher a vaga deixada por Bruno Dantas, que renunciou ao cargo para seguir carreira na iniciativa privada.

Na Câmara, a indicação de Pacheco recebeu 404 votos favoráveis e 61 contrários. O deputado Aécio Neves (PSDB-MG) foi o relator da proposta e recomendou sua aprovação.

A passagem de Pacheco pelo TCU poderá ser curta caso Lula confirme sua indicação ao Supremo e o Senado aprove a nomeação.

Nesse cenário, a saída do ex-senador abriria uma nova cadeira na Corte de Contas, dando início a outra negociação política.

É nessa possível substituição que aparece o nome de Gleisi Hoffmann.

Ex-presidente nacional do PT e uma das principais aliadas de Lula, a petista conta com o apoio de integrantes da bancada federal do partido para ocupar a vaga que poderá ser deixada por Pacheco.

Gleisi participou da articulação política do terceiro mandato presidencial, tendo ocupado a Secretaria de Relações Institucionais antes de disputar o Senado pelo Paraná em 2026.

A derrota eleitoral deixou a ex-ministra sem o mandato pretendido para a próxima legislatura, mas sua proximidade com o presidente mantém seu nome nas discussões sobre a reorganização de cargos estratégicos.

A possibilidade de ingresso no TCU não é inédita. Gleisi já havia sido mencionada anteriormente como alternativa para uma cadeira no órgão responsável pela fiscalização das contas e dos recursos federais.

Sua eventual escolha dependerá, contudo, de negociações políticas e do cumprimento das regras específicas de preenchimento da vaga.

Diferentemente do STF, onde cabe ao presidente da República escolher diretamente um candidato para posterior aprovação pelo Senado, o Tribunal de Contas da União possui um modelo de indicação compartilhado entre Executivo e Legislativo.

O TCU é formado por nove ministros. Três vagas são preenchidas por indicações do presidente da República, enquanto as outras seis são escolhidas pelo Congresso Nacional.

A cadeira atualmente ocupada por Rodrigo Pacheco pertence ao grupo de vagas de indicação parlamentar. Por isso, uma eventual saída do ministro não permitiria a Lula nomear diretamente sua substituta.

O presidente poderia apoiar politicamente Gleisi Hoffmann, mas a escolha precisaria ser conduzida pelo Congresso, conforme as regras aplicáveis à vaga.

Esse detalhe coloca Davi Alcolumbre em posição importante nas negociações. O presidente do Senado já participou diretamente da escolha de Pacheco para o TCU e é um dos principais articuladores de sua possível transferência para o Supremo.

Outra alternativa mencionada para o Tribunal de Contas é Simone Tebet (PSB), que também não conseguiu se eleger senadora por São Paulo.

A ex-ministra do Planejamento é considerada uma possibilidade para a Corte, embora a preferência inicial de Lula, segundo a CNN Brasil, seja seu retorno ao comando do Ministério do Planejamento e Orçamento.

A definição do destino de Tebet integra as conversas sobre a composição do quarto governo Lula, que começará oficialmente em janeiro de 2027.

O presidente também deverá decidir sobre a permanência e a substituição de ministros que participaram das eleições deste ano, em uma reorganização que envolve tanto aliados petistas quanto representantes de outros partidos.

No caso de Gleisi, a possível indicação ao TCU permitiria sua continuidade em uma função pública de destaque, desta vez em uma instituição de controle externo da administração federal.

A nomeação também teria caráter duradouro, já que os ministros do Tribunal de Contas da União permanecem no cargo até a aposentadoria compulsória aos 75 anos, salvo outras hipóteses legais de desligamento.

O TCU tem atribuições relacionadas à fiscalização da aplicação de recursos públicos, ao exame de contas e à avaliação da legalidade e regularidade de despesas e contratos governamentais.

Embora seus integrantes sejam indicados por autoridades políticas, o exercício das funções de controle deve observar as competências e garantias previstas na legislação.

A eventual ida de Pacheco ao STF também dependerá de votação no Senado, onde precisará obter o apoio de pelo menos 41 dos 81 parlamentares.

A expectativa de aliados é que a análise ocorra ainda em 2026, antes da posse da nova composição do Senado, marcada para fevereiro de 2027.

A estratégia permitiria que a indicação fosse examinada por parlamentares que conviveram com Pacheco durante seus dois mandatos à frente da Presidência da Casa.

A possibilidade de obter votos de diferentes bancadas, inclusive da oposição, é apontada por interlocutores como um dos fatores que favorecem seu nome.

Por enquanto, as duas movimentações permanecem no campo das articulações políticas.

Lula ainda precisa confirmar a indicação de Rodrigo Pacheco ao Supremo. Somente depois de uma eventual aprovação e saída do TCU seria aberta a vaga que poderá ser disputada por Gleisi Hoffmann e outros nomes.

As negociações mostram como a formação do próximo governo também envolve a composição de instituições responsáveis pelo julgamento de questões constitucionais e pela fiscalização dos gastos públicos.

A decisão final dependerá do presidente da República e, sobretudo, dos entendimentos construídos com o Congresso Nacional.