
O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já liberou ao menos R$ 198,9 bilhões em benefícios para empresas e eleitores em 2026, ano em que o presidente deve disputar a reeleição. O valor consta de levantamento feito pelo economista Marcos Mendes, com exclusividade para a XP Investimentos, e divulgado pela CNN Brasil.
Do total mapeado, R$ 118,4 bilhões correspondem a medidas financeiras ou extraorçamentárias. Esse tipo de operação não entra diretamente no cálculo do resultado primário nem no limite de gastos, mas pode ampliar a dívida pública e pressionar a sustentabilidade fiscal do país.
O estudo aponta que a estratégia do governo tem recorrido a mecanismos que reduzem o impacto aparente das despesas nas regras fiscais. Para Mendes, o desenho das medidas revela uma tentativa de contornar o arcabouço fiscal, com o uso de instrumentos que preservam a aparência de neutralidade no orçamento, mas não impedem a deterioração das contas públicas.
Entre as principais medidas estão a subvenção e as isenções ao diesel, estimadas em R$ 29,7 bilhões, a isenção do Imposto de Renda, de R$ 31,8 bilhões, a ampliação do Minha Casa, Minha Vida, de R$ 22,3 bilhões, o Novo Desenrola Brasil, de R$ 24 bilhões, e o Move Brasil, voltado a caminhoneiros, taxistas e motoristas de aplicativo, com R$ 50,5 bilhões.
O levantamento também inclui o Gás do Povo, estimado em R$ 4,7 bilhões, a revogação da chamada taxa das blusinhas, com impacto de R$ 1,9 bilhão, o programa Brasil Soberano, de R$ 15 bilhões, além de incentivos à indústria química, ao crédito para a Indústria 4.0 e ao BNDES Mais Inovação, que somam R$ 13 bilhões.
Algumas medidas combinam diferentes tipos de impacto fiscal. O Novo Desenrola Brasil, por exemplo, envolve despesas primárias por meio de aportes do Tesouro no Fundo Garantidor de Operações, mas também utiliza recursos esquecidos como garantia. Segundo a CNN, o governo já transferiu cerca de R$ 5 bilhões desses valores para a estrutura do programa.
No caso do Minha Casa, Minha Vida, parte da expansão utiliza recursos do Fundo Social. Embora haja previsão orçamentária para uma parcela do programa, as medidas adicionais são classificadas como despesas financeiras, o que reduz o impacto imediato sobre as contas primárias.
A avaliação do estudo é que a intensificação das medidas em 2026 tem relação direta com o calendário eleitoral. O documento afirma que a política fiscal está sendo colocada a serviço do projeto político de reeleição, em prejuízo da estabilidade econômica de médio e longo prazo.
O ponto central do alerta é que, mesmo quando não aparecem como gasto primário, os benefícios afetam a dívida pública. Para Mendes, 100% dos valores envolvidos nas medidas expansionistas e de aumento de receita têm impacto direto ou indireto sobre o endividamento, que é o principal indicador da saúde fiscal do país.
A expansão de benefícios ocorre em um momento em que o governo petista enfrenta críticas pela dificuldade de equilibrar promessas sociais, aumento de despesas, pressão por arrecadação e controle da dívida. Para setores que defendem responsabilidade fiscal e transparência, o uso de mecanismos fora do orçamento tradicional aumenta o risco de o país repetir velhas práticas de estímulo eleitoral com custo elevado para a economia.