Lula muda discurso e segue estratégia de Flávio para conquistar indecisos

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mudou o tom na última semana antes do primeiro turno para tentar alcançar os eleitores que ainda não escolheram um candidato. Além de apresentar resultados do governo e promessas para um novo mandato, o petista passou a incorporar ao discurso o reconhecimento das dificuldades financeiras enfrentadas pela população.
Segundo integrantes da equipe ouvidos pela Coluna do Estadão, a mudança busca reproduzir uma abordagem utilizada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário na disputa presidencial. Na avaliação desses aliados, o candidato do PL conseguiu estabelecer uma comunicação mais direta com o descontentamento dos brasileiros, especialmente em relação às dívidas e aos preços dos alimentos.
As gravações de Flávio em supermercados, acompanhado da economista Daniella Marques, são citadas pelo entorno de Lula como exemplo dessa estratégia. Os vídeos usam situações cotidianas para tratar do custo de vida e aproximar a mensagem eleitoral das preocupações de quem ainda não definiu o voto.
A nova orientação altera a aposta inicial da campanha petista. No começo da disputa, aliados acreditavam que a comparação entre as trajetórias dos candidatos, combinada com ataques ao adversário, seria suficiente para ampliar a vantagem do presidente.
Ao longo da campanha, porém, integrantes da equipe passaram a avaliar que as dificuldades do orçamento doméstico tinham mais peso entre os indecisos do que o confronto de biografias. O reconhecimento dessa prioridade levou Lula a apresentar também manifestações de insatisfação, em vez de concentrar sua comunicação nos indicadores positivos da gestão.
De acordo com o Estadão, os acompanhamentos internos da campanha apontam uma resposta favorável à mudança de linguagem. A reportagem fornecida, contudo, não apresenta números que permitam dimensionar esse efeito ou estabelecer seu impacto sobre as intenções de voto.
O cenário permanece competitivo. Na pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (28), Lula e Flávio aparecem com 42% cada em uma simulação de segundo turno. Nesse confronto, os indecisos representam 3%, enquanto 13% dizem que votariam em branco, anulariam o voto ou não compareceriam.
A campanha também deposita expectativa eleitoral no anúncio da proibição das apostas online. Segundo os integrantes ouvidos pelo Estadão, a medida pode reforçar a mensagem de enfrentamento ao endividamento das famílias e produzir uma reação favorável ao presidente antes da votação de domingo, 4 de outubro.