Lula quer França na vice de Haddad, com Tebet e Marina ao senado em SP

Arranjo articulado por Lula tenta acomodar três ex-ministros na eleição paulista e expõe a dificuldade do PT para montar palanque competitivo em São Paulo

Lula quer França na vice de Haddad, com Tebet e Marina ao senado em SP

O presidente Lula tenta destravar a montagem da chapa de Fernando Haddad ao governo de São Paulo com uma engenharia política que acomoda aliados, reorganiza interesses partidários e busca reduzir o risco de uma disputa interna no campo governista. Segundo a coluna de Lauro Jardim, em O Globo, o desenho em discussão prevê Márcio França como vice de Haddad, enquanto Simone Tebet e Marina Silva disputariam as duas vagas ao Senado pelo estado.

O arranjo mira um problema concreto para o PT em São Paulo. Três nomes ligados ao governo Lula buscavam espaço majoritário no estado, mas a eleição oferece apenas duas vagas ao Senado. Márcio França, que pretendia disputar uma delas, seria deslocado para a vice de Haddad. Em troca, de acordo com a publicação, caso Lula vença a eleição presidencial e Haddad seja derrotado no estado, França poderia ser acomodado em um ministério a partir de 2027.

Fernando Haddad (PT) é a principal aposta do partido para tentar voltar a disputar com força o Palácio dos Bandeirantes. Ex-ministro da Fazenda e ex-prefeito da capital paulista, ele entra no tabuleiro estadual como nome de maior peso do lulismo em São Paulo, mas enfrenta o desafio de montar uma chapa que concilie PT, PSB, Rede e MDB sem transformar aliados em adversários.

Márcio França, filiado ao PSB, já governou São Paulo e tem capital político próprio no estado. Sua presença na vice poderia dar à chapa um perfil mais amplo, mas também representaria uma renúncia a uma candidatura ao Senado que vinha sendo defendida por setores do PSB. O partido, segundo publicações recentes, preferia ver França na disputa por uma das vagas senatoriais, ao lado de Simone Tebet.

Simone Tebet, hoje no PSB, aparece como peça importante na tentativa de Lula de preservar uma frente mais ampla em torno de Haddad. Ex-ministra do Planejamento e nome associado ao centro político desde a eleição de 2022, ela pode ajudar a chapa governista a dialogar com setores que resistem ao PT em São Paulo. Marina Silva, da Rede, também é citada para o Senado, após ter ocupado o Ministério do Meio Ambiente no atual governo Lula.

A equação mostra a dificuldade do lulismo para organizar seu palanque no maior colégio eleitoral do país. São Paulo segue sendo terreno duro para o PT, e a busca por nomes de centro, ambientalistas e ex-governadores revela a tentativa de suavizar resistências em um estado onde a legenda historicamente enfrenta forte rejeição fora de seus redutos mais fiéis.

O movimento também expõe uma contradição recorrente na política nacional. Depois de anos de discurso contra acordos tradicionais, o governo Lula volta a recorrer à acomodação de aliados, distribuição de espaços e promessas de futuro para tentar manter unida uma aliança eleitoral. O pragmatismo pode ajudar a fechar a chapa, mas reforça a percepção de que o PT depende cada vez mais de arranjos de cúpula para sustentar sua competitividade.

Para o eleitor paulista, a definição da chapa de Haddad deve ser um dos principais sinais da estratégia do governo federal para 2026. Com França na vice e Tebet e Marina ao Senado, Lula tentaria apresentar uma composição mais ampla, capaz de falar com setores moderados sem abrir mão da estrutura petista. Ao mesmo tempo, a costura confirma que a disputa em São Paulo será central para medir a força real do governo Lula e o espaço disponível para uma alternativa de centro democrático no país.

A decisão ainda depende de conversas entre os partidos e de confirmação formal dos envolvidos. Até lá, o desenho sinaliza que Lula pretende conduzir pessoalmente a montagem da chapa paulista, tratando São Paulo não apenas como uma eleição estadual, mas como uma peça decisiva para sua sustentação política em 2026.