
O presidente da Argentina, Javier Milei, revelou que trabalha ativamente para articular um bloco de governos de direita na América Latina, inspirado em uma coordenação política permanente entre países alinhados ao liberalismo econômico e à crítica frontal ao socialismo. A proposta, segundo ele, funcionaria como uma espécie de “Foro de São Paulo da Direita”.
Em entrevista à CNN en Español, Milei afirmou que a região vive uma mudança de humor político. Para o argentino, a América do Sul estaria deixando para trás o que chamou de “pesadelo do socialismo do século 21”, abrindo espaço para uma agenda centrada em liberdade econômica, redução do Estado e enfrentamento às correntes ideológicas de esquerda.
De acordo com o presidente, cerca de dez países já estariam em diálogo com a Argentina para a formação desse novo eixo político. A ideia é criar um fórum permanente de cooperação entre governos e lideranças conservadoras e liberais, capaz de atuar tanto no campo político quanto no debate cultural e ideológico no continente.
Milei sustenta que o socialismo, em suas diferentes versões, seria responsável por empobrecimento, concentração de poder e perda de liberdades individuais. Por isso, defende uma coordenação internacional que vá além de alianças pontuais e estabeleça uma narrativa comum para a direita latino-americana, em oposição aos espaços tradicionais de articulação da esquerda regional.
Na entrevista, o presidente argentino também abordou o cenário internacional. Questionado sobre a relação comercial entre Argentina e China e as críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à aproximação latino-americana com Pequim, Milei afirmou que distingue claramente o campo geopolítico do econômico. Segundo ele, manter relações comerciais não significa alinhamento ideológico ou estratégico automático.
A movimentação reforça o papel que Milei busca desempenhar como liderança ideológica regional. Mais do que governar a Argentina, o presidente tenta se consolidar como articulador de um novo campo político continental, apostando no enfraquecimento das esquerdas tradicionais e no avanço de agendas liberais e conservadoras na América Latina.