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Política

Milícias armadas tomam as ruas da Venezuela; país virou terra sem lei desde a intervenção americana

Por Brasil no Centro Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 16:55 3 min de leitura
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Milícias armadas tomam as ruas da Venezuela; país virou terra sem lei desde a intervenção americana

A Venezuela vive dias de medo e incerteza desde a intervenção militar dos Estados Unidos, que resultou na captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro. Nas ruas de Caracas e de outras cidades, o vazio de poder abriu espaço para a atuação ostensiva de milícias armadas ligadas ao chavismo, conhecidas como colectivos, que passaram a impor o terror sem qualquer contenção das forças de segurança.
Organizações de direitos humanos relatam dezenas de detenções nos últimos dias, inclusive de forma preventiva, amparadas pelo decreto de Estado de Comoção Exterior. A norma prevê prisão para quem manifestar apoio à ação militar que levou à queda de Maduro, o que aprofundou o clima de repressão e censura.
Apesar disso, o principal temor da população não vem apenas do aparato formal do Estado, mas dos grupos paramilitares que circulam armados em motocicletas, bloqueiam vias, montam barricadas e revistam celulares de civis. Moradores denunciam que os colectivos agem livremente em bairros da Grande Caracas, hostilizando pedestres e motoristas, enquanto a polícia permanece ausente.
“Eles estão aterrorizando as pessoas, revistando celulares e ameaçando quem passa”, relatou um cidadão nas redes sociais, pedindo que a população evite sair às ruas ou portar mensagens que possam ser interpretadas como políticas.
Criados durante o governo de Hugo Chávez após a tentativa de golpe de 2002, os colectivos surgiram oficialmente para “defender a Revolução Bolivariana”. Na prática, tornaram-se, ao longo dos anos, um braço armado informal do regime. Sua atuação foi especialmente violenta nos períodos mais críticos da crise humanitária entre 2016 e 2018, quando escassez de alimentos e medicamentos levou o país ao colapso social.
O retorno desses grupos às ruas coincidiu com a posse de Delcy Rodríguez como presidente interina, em 5 de janeiro. Naquele mesmo dia, milicianos foram vistos próximos ao Palácio de Miraflores. Autoridades classificaram o episódio como “confusão”, mas moradores afirmam que a presença armada se intensificou desde então.
Relatos de tiros, explosões e comboios de motociclistas circulam diariamente nas redes sociais. Muitos venezuelanos passaram a evitar sair de casa ou retornam mais cedo, com medo de abordagens violentas. O impacto psicológico se soma aos efeitos da ofensiva americana, marcada por sobrevoos militares e explosões registradas na região metropolitana de Caracas e em La Guaira.
Especialistas apontam que a escalada da violência está ligada a disputas internas dentro do chavismo, especialmente entre o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e o grupo político liderado por Delcy e Jorge Rodríguez. Segundo análises da organização Insight Crime, os colectivos passaram a atuar de forma cada vez mais autônoma e transacional, sustentados pela ala mais radical do regime.
O resultado é um ambiente de confronto permanente, no qual o medo voltou a dominar o cotidiano. Especialistas em saúde mental alertam que a simples menção aos colectivos já provoca estados de alerta, ansiedade e até estresse pós-traumático em uma população marcada por décadas de violência política.
Sem autoridade clara, com milícias armadas ocupando o espaço público e uma população acuada, a Venezuela mergulha em um cenário descrito por moradores como de “terra sem lei”, em que o som de motos e tiros voltou a ser sinônimo de sobrevivência.