“O PT se especializou em administrar a pobreza, não em superar a pobreza”, diz Aécio

Convidado para disputar a Presidência, presidente do PSDB propõe qualificação profissional, incentivo ao emprego formal e mudança no modelo social brasileiro

“O PT se especializou em administrar a pobreza, não em superar a pobreza”, diz Aécio

O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (PSDB-MG), defendeu uma reformulação nas políticas sociais brasileiras ao comentar, em entrevista ao programa Frente a Frente, do UOL e da Folha de S.Paulo, propostas voltadas à qualificação profissional e à inserção de beneficiários do Bolsa Família no mercado de trabalho formal.

Durante a entrevista, o tucano afirmou que o Estado brasileiro precisa atuar para criar oportunidades de ascensão social, conectando programas sociais à geração de emprego em setores estratégicos da economia, como turismo, agronegócio e indústria.

“Vamos qualificar essas pessoas, vamos dar a elas o Bolsa Família, mas vamos dar oportunidade nas regiões turísticas, no agronegócio, nas regiões industriais”, afirmou.

Segundo Aécio, a qualificação profissional deveria envolver parcerias entre o poder público, empresários, prefeituras e o Sistema S, criando condições para que famílias dependentes de programas sociais consigam construir autonomia econômica.

O ex-governador mineiro também defendeu uma medida que classificou como “mais ousada”: permitir que beneficiários do Bolsa Família continuem recebendo o auxílio por um período mesmo após conseguirem emprego com carteira assinada.

“Muita gente evita emprego formal para não perder o benefício. Se alguém conseguiu emprego com carteira assinada, deveria continuar recebendo o Bolsa Família por um tempo, talvez dois anos, até se consolidar nessa nova realidade”, declarou.

Para Aécio, o modelo atual precisa deixar de focar apenas na manutenção do benefício e avançar para políticas de emancipação econômica. “As pessoas não podem ter como objetivo de vida deixar de herança para o filho apenas um cartão do Bolsa Família”, afirmou.

Na parte mais contundente da entrevista, o presidente do PSDB criticou diretamente os governos petistas e afirmou que o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria transformado a pobreza em instrumento político.

“O PT se especializou em administrar a pobreza, não em superar a pobreza”, disse.

A entrevista ganhou repercussão por ocorrer em meio ao movimento nacional que tenta construir uma candidatura de centro para as eleições presidenciais de 2026. Recentemente, Aécio foi oficialmente convidado pela federação PSDB-Cidadania para disputar a Presidência da República.

Além da federação formada por PSDB e Cidadania, o mineiro também conta com apoio político da federação Solidariedade-PRD, que defende a construção de uma alternativa à polarização entre PT e bolsonarismo.

Nos bastidores, dirigentes partidários avaliam que Aécio busca apresentar um discurso voltado à responsabilidade social combinada com geração de emprego, crescimento econômico e mobilidade social, tentando diferenciar sua proposta tanto do assistencialismo estatal quanto das pautas mais radicais da direita.

Aliados do tucano afirmam que o debate sobre programas sociais deverá ocupar papel central em uma eventual candidatura presidencial, especialmente diante do aumento da dependência de benefícios federais em diversas regiões do país.

Aécio ainda não confirmou oficialmente se aceitará disputar o Palácio do Planalto pela segunda vez, mas deve tomar uma decisão nas próximas semanas.