Oposição quer quebrar sigilo da esposa de Moraes e convocar irmão de Toffoli na CPI do Crime

A ofensiva da oposição no Senado contra integrantes do Supremo Tribunal Federal ganhou um novo capítulo com a apresentação de requerimentos à CPI do Crime Organizado que envolvem familiares de ministros da Corte. As iniciativas pedem a quebra de sigilos da esposa do ministro Alexandre de Moraes e a convocação do irmão do ministro Dias Toffoli para prestar depoimento à comissão.
O senador Eduardo Girão, do Novo do Ceará, protocolou pedido de quebra dos sigilos bancário e fiscal de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, no período entre janeiro de 2024 e janeiro de 2026. Segundo o parlamentar, a medida busca esclarecer possíveis conflitos de interesse e a eventual sobreposição entre interesses privados e a atuação de órgãos do Estado.
O requerimento menciona um contrato de aproximadamente 129 milhões de reais firmado entre o Banco Master, instituição investigada por fraudes contra o sistema financeiro, e o escritório de advocacia do qual Viviane Moraes faz parte. De acordo com o pedido, o contrato previa serviços jurídicos com atuação junto a órgãos estratégicos, como Banco Central, Coaf e Receita Federal.
Em outro movimento, o senador Magno Malta, do PL, apresentou requerimento para convocar José Carlos Dias Toffoli, irmão do ministro Dias Toffoli, para depor à CPI. O pedido cita indícios da existência de jogos de apostas e atividades relacionadas a jogos de cartas com dinheiro em um resort localizado no Paraná, empreendimento que seria ligado à família do ministro.
Mesmo ocupando a suplência na CPI, Eduardo Girão está autorizado pelo regimento do Senado a apresentar requerimentos. A decisão sobre a inclusão dos pedidos na pauta e sua eventual votação cabe à presidência da comissão. Já Magno Malta, como membro titular, participa diretamente das deliberações.
Os requerimentos ainda não foram analisados e dependem da retomada dos trabalhos da CPI, prevista para a próxima semana, com o reinício das atividades do Congresso e da legislatura de 2026. As iniciativas ampliam o embate político entre a oposição e o Supremo, reacendendo debates sobre transparência, limites institucionais e possíveis conflitos de interesse, embora até o momento não haja conclusão formal sobre irregularidades.