
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a quinta fase da Operação Unha e Carne e prendeu o pastor Márcio Poncio, apontado como um dos alvos da investigação que apura um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas para beneficiar integrantes do Comando Vermelho e possíveis operações de lavagem de dinheiro ligadas ao crime organizado.
A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que também expediu mandados de prisão preventiva contra o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar. Ambos já se encontravam presos. Também foi determinado mandado contra o ex-deputado federal Marco Antônio Cabral.
Além das prisões, a Polícia Federal cumpriu 14 mandados de busca e apreensão em endereços localizados na capital fluminense e em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. A decisão judicial também autorizou o bloqueio de bens e valores de até R$ 22 milhões.
Investigação amplia foco sobre lavagem de dinheiro
Segundo a Polícia Federal, esta nova etapa da Operação Unha e Carne busca aprofundar a apuração sobre uma suposta estrutura destinada à ocultação de recursos provenientes de atividades ilícitas, além de possíveis conexões entre integrantes do crime organizado e agentes públicos.
As investigações tiveram novo impulso após a apreensão de documentos atribuídos ao contraventor Adilsinho. De acordo com a corporação, o material reúne registros que podem indicar pagamentos ilícitos, doações eleitorais e mecanismos de lavagem de dinheiro, hipóteses que seguem sob investigação.
A Polícia Federal utiliza a expressão “capo” para se referir a Adilsinho, termo empregado para designar integrantes de alto escalão em organizações criminosas de origem mafiosa.
Operação já teve cinco fases
A Operação Unha e Carne foi iniciada no fim de 2025 e vem sendo ampliada a cada nova fase. As primeiras etapas concentraram as investigações em suspeitas de vazamento de informações sigilosas relacionadas a operações policiais, além da possível participação de agentes públicos no esquema.
Ao longo da apuração, a operação resultou em prisões de autoridades, empresários e integrantes do Judiciário. Também passaram a ser investigadas suspeitas de fraudes em contratos públicos e conexões entre organizações criminosas e estruturas do poder público no estado do Rio de Janeiro.
A investigação integra as medidas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito da ADPF 635, processo que trata da atuação das forças de segurança no Rio de Janeiro e prevê o aprofundamento das apurações sobre a influência de facções criminosas e suas relações com agentes públicos.
Até a publicação da reportagem original, as defesas dos investigados ainda não haviam se manifestado. O espaço permanece aberto para posicionamentos.