PF faz operação contra aliados de líder do PL na Câmara por suspeita de desvio de cota parlamentar

Nova etapa da Operação Rent a Car cumpre mandados em três estados para aprofundar investigação sobre suposto uso irregular de recursos públicos destinados à atividade parlamentar

PF faz operação contra aliados de líder do PL na Câmara por suspeita de desvio de cota parlamentar

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira uma nova fase da Operação Rent a Car para aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de desvio de recursos provenientes da cota parlamentar da Câmara dos Deputados. A ação tem como foco pessoas ligadas ao deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da bancada do partido na Câmara, que não figura como alvo desta etapa da investigação.

A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, e resultou no cumprimento de cinco mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais. Segundo a Polícia Federal, a apuração busca esclarecer a movimentação e a destinação de recursos públicos utilizados para custear despesas relacionadas ao exercício da atividade parlamentar.

Os investigadores apuram indícios da possível prática de peculato, lavagem de dinheiro, fraude processual e organização criminosa. De acordo com a corporação, há elementos que indicam a participação de agentes públicos, pessoas físicas e empresas que teriam sido utilizadas para conferir aparência de legalidade às movimentações financeiras investigadas.

A Polícia Federal também afirma que surgiram indícios de tentativas de ocultação ou alteração de provas durante o andamento das investigações, circunstância que poderá ser analisada no âmbito do inquérito.

Investigação teve início em fase anterior da operação

Esta é a terceira etapa da Operação Rent a Car. Em dezembro do ano passado, a Polícia Federal realizou buscas em endereços relacionados ao deputado Sóstenes Cavalcante durante a fase inicial da investigação.

Na ocasião, cerca de R$ 430 mil em dinheiro foram apreendidos em um imóvel vinculado ao parlamentar. À época, Sóstenes afirmou que os valores eram provenientes da venda de um imóvel realizada poucos dias antes e negou qualquer irregularidade.

O deputado também declarou que o dinheiro ainda não havia sido depositado em razão de compromissos de trabalho e atribuiu a investigação a uma perseguição motivada por seu posicionamento político.

Contrato de locação está entre os focos da apuração

As investigações tiveram origem em suspeitas envolvendo a utilização da cota parlamentar para pagamentos a uma empresa de locação de veículos que, segundo a Polícia Federal, teria continuado recebendo recursos públicos mesmo após apresentar indícios de dissolução irregular.

A cota parlamentar é um recurso disponibilizado aos deputados federais para custear despesas relacionadas ao mandato, como passagens aéreas, aluguel de escritórios, hospedagem e locação de veículos.

Até a publicação da reportagem original, a defesa de Sóstenes Cavalcante ainda não havia se manifestado sobre a nova fase da operação.