PF abre 25 inquéritos em investigações que envolvem pessoas ligadas a filhos de Lula

Apurações da Polícia Federal investigam suspeitas de tráfico de influência e irregularidades em contratos ligados a verbas federais da educação.

PF abre 25 inquéritos em investigações que envolvem pessoas ligadas a filhos de Lula

A Polícia Federal ampliou o alcance de uma investigação que apura suspeitas de irregularidades envolvendo recursos públicos da área da educação e abriu 25 novos inquéritos para aprofundar diferentes linhas de apuração. O caso envolve empresários, agentes públicos e pessoas que mantiveram relações pessoais ou profissionais com familiares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP).

As investigações têm origem na Operação Coffee Break, conduzida pela Polícia Federal em parceria com o Ministério Público Federal. O objetivo é examinar suspeitas de tráfico de influência, fraude em licitações, superfaturamento e possíveis pagamentos indevidos ligados a contratos firmados com prefeituras, especialmente no interior de São Paulo.

Entre os investigados que possuem vínculo indireto com o entorno familiar do presidente estão o empresário Kalil Bittar, ex-sócio de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e Carla Ariane Trindade, que foi casada com Marcos Cláudio Lula da Silva. Ambos foram alvo de mandados de busca e apreensão em fases anteriores da investigação.

A divisão da apuração em 25 inquéritos foi adotada para permitir que cada linha investigativa seja analisada de forma independente, com foco específico em contratos, agentes públicos e empresas que aparecem nos documentos reunidos pela Polícia Federal.

A quarta etapa da operação foi deflagrada recentemente e incluiu ações relacionadas a contratos na cidade de Sumaré, no interior paulista. Nessa fase, foi decretada a prisão preventiva de um ex-secretário municipal de Educação, além do cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços ligados a investigados.

Segundo os investigadores, parte das suspeitas envolve a atuação de intermediadores políticos que teriam utilizado relações institucionais para facilitar o acesso de empresas privadas a contratos financiados com recursos federais. A principal hipótese examinada pelas autoridades é a de que determinados agentes teriam atuado na intermediação de negócios em troca de vantagens indevidas.

De acordo com documentos da investigação, uma empresa de tecnologia educacional aparece no centro das suspeitas. A companhia teria mantido contratos com administrações municipais para fornecimento de materiais e soluções tecnológicas destinadas a escolas públicas.

Relatórios da investigação indicam que o empresário Kalil Bittar teria mantido relações comerciais com representantes da empresa e recebido pagamentos por serviços prestados. A Polícia Federal também menciona o uso de um veículo registrado em nome do empresário responsável pela companhia.

A defesa de Kalil Bittar afirma que ele não participou de negociações envolvendo órgãos públicos e sustenta que sua relação com a empresa ocorreu exclusivamente no âmbito de prestação de serviços técnicos na área de tecnologia da informação. Segundo os advogados, os valores recebidos correspondem a serviços efetivamente prestados.

No caso de Carla Ariane Trindade, investigadores avaliam a hipótese de que ela tenha atuado como intermediadora em contatos institucionais relacionados à liberação de recursos públicos destinados a projetos educacionais. A suspeita é de que essa atuação tenha ocorrido junto a órgãos federais responsáveis pela transferência de verbas para estados e municípios.

A defesa da investigada nega qualquer irregularidade e afirma que não há elementos que indiquem participação em fraudes ou influência indevida em processos administrativos.

O Ministério Público Federal informou que parte das investigações já resultou em denúncia relacionada a lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo empresários ligados a contratos públicos municipais. Os nomes associados ao entorno familiar do presidente não foram incluídos nessa primeira denúncia.

Segundo o MPF, os novos inquéritos abertos pela Polícia Federal poderão embasar futuras acusações, dependendo do avanço das apurações e da análise das provas reunidas ao longo da investigação.