PL eleva tom contra o STF em ato; Nikolas defende prisão de Moraes e Flávio mira maioria no Senado para impeachment de ministros

Manifestação reuniu apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro em São Paulo, teve críticas diretas a ministros do Supremo e reforçou estratégia política com foco no Senado.

PL eleva tom contra o STF em ato; Nikolas defende prisão de Moraes e Flávio mira maioria no Senado para impeachment de ministros

A Avenida Paulista voltou a ser palco de um ato convocado por lideranças ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro neste domingo, 1º de março, marcado por críticas contundentes ao Supremo Tribunal Federal e por um discurso de enfrentamento institucional que elevou a temperatura política. Entre as falas mais incisivas esteve a do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que afirmou que o futuro do ministro Alexandre de Moraes “é a cadeia”, em declaração que repercutiu imediatamente nas redes sociais.

O parlamentar, que convocou o protesto sob o lema “Fora Lula, Moraes e Toffoli”, direcionou ataques verbais ao magistrado e puxou coro contra o ministro Dias Toffoli. O tom adotado no trio elétrico foi de confronto direto com membros da Suprema Corte, reforçando uma narrativa que tem sido frequente em atos de rua organizados por setores mais ideológicos do campo conservador.

O pastor Silas Malafaia também discursou e acusou Moraes de agir como ditador, além de citar o episódio envolvendo o Banco Master. O caso tem provocado desgaste institucional, após a divulgação de informações sobre contratos e relações empresariais que envolvem pessoas próximas a ministros do STF. O ex-dono da instituição financeira, Daniel Vorcaro, é investigado sob suspeita de fraudes no sistema financeiro nacional.

No local do protesto, faixas chamavam o Supremo de “Supremo Tirano Federal”. Em frente ao Museu de Arte de São Paulo, manifestantes posicionaram um boneco inflável de Jair Bolsonaro com uma mordaça na boca, numa referência à prisão do ex-presidente em Brasília, onde cumpre pena por tentativa de golpe de Estado.

Apesar da retórica inflamada contra ministros do Supremo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adotou um discurso com viés mais estratégico. Sem citar nominalmente integrantes da Corte, afirmou que é favorável ao impeachment de qualquer ministro que descumpra a lei e destacou que o caminho institucional para isso passa pela formação de maioria no Senado Federal. Ao lembrar que cabe à Casa processar e julgar pedidos de impedimento contra membros do STF, o parlamentar reforçou a importância das próximas eleições legislativas.

A manifestação também teve forte conotação eleitoral. Aliados sinalizaram apoio a uma eventual candidatura presidencial de Flávio, embora o senador não tenha oficializado movimentação nesse sentido. Nos bastidores, a leitura é que o foco na composição do Senado indica uma estratégia de médio prazo, buscando ampliar influência institucional.

Levantamento do Monitor do Debate Político da USP em parceria com a ONG More in Common estimou que o ato reuniu cerca de 20,4 mil pessoas no horário de maior concentração, com margem de erro de 12 por cento. O número é inferior ao registrado em setembro de 2025, quando um protesto em defesa da anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos reuniu mais de 40 mil pessoas no mesmo local.

O episódio reforça o ambiente de tensão entre setores do Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, num momento em que o país enfrenta desafios econômicos e institucionais que exigem estabilidade e responsabilidade política. Enquanto discursos mais duros mobilizam bases ideológicas, cresce também no cenário nacional a defesa de saídas institucionais equilibradas e comprometidas com o Estado de Direito, em contraste com propostas que apostam na escalada do confronto.