
Em um movimento estratégico visando as eleições de 2026, o Partido Liberal (PL) investiu R$ 16,2 milhões na ala feminina em 2025, o dobro do que foi gasto pelo PT, que destinou R$ 8,3 milhões. Esse gasto reflete a crescente aposta do partido de Jair Bolsonaro na figura de Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama, para consolidar sua base eleitoral, especialmente entre o público feminino e evangélico.
A maior parte do investimento do PL foi direcionada para eventos promocionais, com Michelle à frente da caravana do PL Mulher, um movimento que percorre diferentes regiões do Brasil. Esses eventos, que incluem passagens aéreas e logística, têm sido fundamentais para a construção da imagem de Michelle como potencial candidata, além de mobilizar apoio para outras eleições, como as de deputados e vereadores.
Em 2025, o PL destinou R$ 5,2 milhões exclusivamente para a realização de eventos, com destaque para encontros em locais como Rio Branco, no Acre, e Sergipe, que tiveram custos elevados com serviços de sonorização, iluminação e estrutura de palco. Esses encontros, frequentemente realizados em igrejas e outros locais evangélicos, misturam discursos políticos com elementos de cultos neopentecostais e mensagens de autoajuda, com Michelle se posicionando como uma figura de empoderamento feminino que, ao mesmo tempo, tenta redefinir pautas identitárias da esquerda.
Os gastos com passagens aéreas, que em 2024 foram de R$ 1,8 milhão, também tiveram um aumento expressivo. Em 2023, o valor chegou a R$ 1,4 milhão, quando Michelle começou sua trajetória de viagens pelo país. Em 2025, o número saltou ainda mais, refletindo a crescente presença da ex-primeira-dama nos palanques regionais e seu papel como cabo eleitoral.
Apesar de sua licença temporária por questões de saúde no final de 2025, a presença de Michelle no cenário político tem gerado importantes frutos para o PL. O número de filiados aumentou significativamente desde que ela passou a atuar diretamente em campanhas. Em 2022, o partido tinha 762 mil filiados; em 2025, o número subiu para 895 mil, com 397 mil mulheres filiadas, o que representa um crescimento expressivo e confirma o impacto da liderança de Michelle.
O Partido Liberal também obteve êxito na eleição de 995 mulheres em 2024 para cargos políticos, como prefeitas, vereadoras e vices, um reflexo direto dos investimentos em sua ala feminina. No entanto, a popularidade de Michelle também gerou atritos dentro da família Bolsonaro, especialmente com a disputa de protagonismo entre ela e os filhos do ex-presidente, Flávio e Eduardo, no partido.
A recente decisão de Jair Bolsonaro de apoiar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto deslocou o foco da campanha presidencial, reconfigurando o papel de Michelle dentro do PL e diminuindo suas chances de encabeçar uma chapa majoritária. Ainda assim, o PL segue apostando forte no nome de Michelle, com a ex-primeira-dama sendo uma das principais figuras de apoio para a candidatura do partido em 2026.