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PL lança Rogério Marinho contra Alcolumbre e promete destravar anistia no Senado

Com apoio do Novo e a maior bancada da próxima legislatura, líder da oposição defende voto aberto e negocia com Tereza Cristina para evitar divisão na disputa de 2027.

Por Brasil no Centro Publicado em 5 de novembro de 2026 às 12:50 9 min de leitura
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PL lança Rogério Marinho contra Alcolumbre e promete destravar anistia no Senado

O Partido Liberal oficializou, nesta quarta-feira (4), a candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado Federal, com a promessa de abrir espaço para a votação de propostas que enfrentam resistência no atual comando da Casa. Entre as prioridades anunciadas pelo líder da oposição está a anistia aos condenados pela tentativa de golpe de Estado, tema que se tornou uma das principais bandeiras do bolsonarismo no Congresso Nacional.

O lançamento ocorreu na sede nacional do PL, em Brasília, durante uma reunião que reuniu cerca de 30 senadores e representantes de diferentes partidos. Marinho foi apresentado como o nome da legenda para enfrentar a tentativa de reeleição do atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), na votação marcada para 1º de fevereiro de 2027.

A candidatura também terá de superar divergências dentro da própria oposição. A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura do governo Jair Bolsonaro (PL), mantém a intenção de disputar o cargo e procura reunir apoio entre parlamentares de centro e de direita.

Marinho afirmou que pretende negociar uma convergência com Tereza antes da eleição, mas reconheceu que ainda não existe acordo sobre qual dos dois nomes permanecerá na disputa.

A decisão do PL ocorre após as eleições de outubro, que ampliaram a presença do partido no Senado e fortaleceram sua participação nas negociações sobre o comando da próxima legislatura.

Segundo o levantamento divulgado pelo Congresso em Foco, a legenda deverá contar com 29 senadores a partir de fevereiro. O partido também recebeu apoio do Novo, que terá três representantes na Casa.

Somadas, as duas bancadas formariam uma base potencial de 32 votos. O número, entretanto, não garante que todos os parlamentares votarão de maneira uniforme, especialmente porque a escolha do presidente do Senado é realizada por votação secreta.

Para vencer, será necessário conquistar pelo menos 41 dos 81 votos disponíveis.

Durante o lançamento, Marinho afirmou acreditar que sua candidatura já reúne aproximadamente 40 apoios. A declaração, porém, não representa uma confirmação individual dos votos e ainda dependerá das negociações que serão realizadas até fevereiro.

O encontro contou com a presença do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), além dos senadores eleitos Guilherme Derrite (PP-SP) e Deltan Dallagnol (Novo-PR), entre outros parlamentares.

A participação de representantes de outras legendas foi apresentada pelos organizadores como uma demonstração da tentativa de ampliar a candidatura para além do PL.

Um dos principais compromissos anunciados por Marinho foi permitir que o Senado examine propostas de anistia relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023 e à tentativa de golpe de Estado.

O parlamentar afirmou que, caso seja eleito presidente da Casa, pretende dar andamento à tramitação dessas matérias, atualmente cercadas por divergências entre governo, oposição e integrantes de partidos de centro.

A discussão envolve projetos que podem beneficiar pessoas condenadas pela participação nos ataques às sedes dos Três Poderes e em outras condutas relacionadas à tentativa de ruptura institucional.

Entre os possíveis beneficiários, conforme o alcance de uma eventual lei, está o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal no processo relacionado à trama golpista.

Marinho defendeu que o Congresso tenha a oportunidade de deliberar sobre o assunto, mesmo diante das divergências entre os parlamentares.

A promessa de colocar a anistia em discussão, entretanto, não significa que a proposta será aprovada. O resultado dependerá da tramitação legislativa, da redação do texto e da formação de maioria entre deputados e senadores.

O atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tem demonstrado resistência à aprovação de uma anistia ampla. Em articulações anteriores, discutiu alternativas relacionadas à revisão de penas, sem alcançar necessariamente todos os condenados.

Outra bandeira apresentada pelo candidato do PL foi a defesa do voto aberto na eleição para a presidência do Senado.

Atualmente, o Regimento Interno estabelece votação secreta para a escolha dos integrantes da Mesa Diretora. Quando há mais de um candidato à presidência, o procedimento é realizado por meio de cédulas.

Marinho argumenta que a divulgação dos votos permitiria ao eleitor acompanhar os compromissos assumidos pelos representantes e verificar se suas escolhas correspondem às posições defendidas durante a campanha eleitoral.

A proposta também integra a estratégia de setores do PL para evitar que senadores eleitos com apoio do bolsonarismo votem reservadamente pela recondução de Alcolumbre.

Embora tenha defendido a mudança, Marinho reconheceu que o partido ainda precisará avaliar os mecanismos regimentais necessários para alterar o formato da votação.

Enquanto não houver uma decisão formal, o sistema continuará sendo secreto. Parlamentares poderão anunciar publicamente suas preferências, mas essas manifestações não terão o mesmo efeito de uma identificação oficial dos votos depositados na urna.

A relação com o Supremo Tribunal Federal também apareceu entre os assuntos abordados durante o lançamento.

Marinho procurou afastar a ideia de que sua candidatura será dedicada exclusivamente à abertura de processos de impeachment contra ministros da Corte.

O senador afirmou que pretende conduzir a presidência com base nas competências constitucionais do Senado, mas garantiu que eventuais denúncias por crimes de responsabilidade não serão ignoradas.

A declaração ocorre em um momento de pressão de integrantes da oposição sobre Davi Alcolumbre, criticado por não dar andamento a pedidos de impeachment contra ministros do STF, especialmente Alexandre de Moraes.

O assunto ganhou relevância durante a campanha eleitoral de 2026 e passou a integrar as discussões sobre a futura presidência do Senado.

Para o PL, a mudança no comando da Casa representa a possibilidade de ampliar a participação da oposição na definição das pautas e na análise de requerimentos apresentados por seus parlamentares.

Marinho também criticou o funcionamento das comissões após a eleição de 2023, quando foi derrotado por Rodrigo Pacheco (PSD-MG) na disputa pela presidência.

Na ocasião, o senador concorreu com apoio do então ex-presidente Jair Bolsonaro, mas não conseguiu reunir votos suficientes para vencer.

Ao recordar aquela disputa, afirmou que a oposição enfrentou dificuldades para conquistar espaços relevantes nas comissões permanentes do Senado.

O parlamentar prometeu adotar postura diferente caso seja eleito, assegurando participação aos grupos que não integrarem sua base de apoio.

A declaração foi apresentada como parte de sua proposta de condução institucional da Casa, embora a distribuição efetiva dos cargos dependa de negociações partidárias e das regras regimentais.

A principal dificuldade para a candidatura de Marinho continua sendo a divisão entre os próprios parlamentares que fazem oposição ao governo Lula.

Tereza Cristina reafirmou nesta semana que pretende disputar a presidência do Senado e declarou ter como objetivo se tornar a primeira mulher a comandar a instituição.

A senadora mantém interlocução com dirigentes e parlamentares que resistem à candidatura de Marinho, apesar de compartilharem posições políticas semelhantes em diferentes temas.

Sua eventual candidatura também enfrenta obstáculos dentro da federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, cujas direções anunciaram apoio à reeleição de Alcolumbre.

Mesmo diante dessa orientação, Tereza decidiu continuar as articulações e avaliar suas possibilidades de reunir uma base própria.

Marinho afirmou que os dois conversaram na manhã de quarta-feira e que existe disposição para evitar uma disputa direta entre candidatos do mesmo campo político.

A definição, segundo ele, deverá ocorrer depois que ambos avaliarem a viabilidade de suas candidaturas.

Uma das alternativas discutidas nos bastidores envolve um entendimento para que um dos parlamentares dispute a presidência em 2027 e o outro receba apoio na eleição seguinte, em 2029.

Questionado sobre essa possibilidade, Marinho evitou confirmar a existência de um acordo de revezamento.

A negociação também provocou manifestações de integrantes do PL preocupados com ataques direcionados a Tereza Cristina nas redes sociais.

O líder da legenda no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ), saiu em defesa da ex-ministra e afirmou que ela permanece como aliada nas discussões sobre o futuro comando da Casa.

A preocupação é evitar que a disputa entre dois nomes da oposição provoque uma ruptura antes da eleição de fevereiro.

Enquanto Marinho e Tereza procuram ampliar seus apoios, Davi Alcolumbre trabalha pela recondução com respaldo de partidos de centro e de integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O atual presidente do Senado mantém interlocução com lideranças do MDB, PSD, União Brasil e PP, além de parlamentares de outras legendas que participam das negociações sobre a Mesa Diretora e o comando das comissões.

O apoio anunciado pelo PT também integra a estratégia de Alcolumbre para assegurar a continuidade à frente da Casa no biênio 2027-2028.

A eleição, entretanto, será realizada com a nova composição do Senado e poderá sofrer alterações até fevereiro, conforme os compromissos assumidos entre os partidos.

A presença de uma bancada numerosa do PL aumenta o peso da oposição, mas não elimina a necessidade de conquistar votos entre parlamentares de centro e de siglas que já manifestaram apoio ao atual presidente.

A disputa pela presidência do Senado também terá consequências para a relação da Casa com o próximo governo federal.

O presidente da instituição exerce papel relevante na organização dos trabalhos, na condução das sessões e na tramitação de iniciativas que dependem de decisões da Mesa e do plenário.

Por isso, a definição do comando passou a concentrar negociações sobre a agenda legislativa, a composição das comissões e a relação entre o Senado, o Executivo e o Judiciário.

Com o lançamento de Rogério Marinho, o PL formalizou sua intenção de disputar esses espaços e estabeleceu a anistia e a transparência da votação entre os principais temas de sua campanha.

A eleição de fevereiro, porém, permanece aberta. Marinho busca transformar o crescimento da bancada do PL em apoio à sua candidatura, Tereza Cristina trabalha para se apresentar como alternativa dentro da oposição e Alcolumbre tenta consolidar os votos necessários para permanecer na presidência.

Nenhum dos três nomes anunciou, até agora, apoio suficiente e individualmente confirmado para assegurar a vitória.