PSDB e Cidadania formalizam convite para Aécio disputar a presidência da República

Federação fortalece nome do deputado mineiro em meio à busca por alternativa fora da polarização política

PSDB e Cidadania formalizam convite para Aécio disputar a presidência da República


A federação formada pelo PSDB e pelo Cidadania oficializou nesta terça-feira (26) o apoio à pré-candidatura do deputado federal Aécio Neves (PSDB) à Presidência da República nas eleições de 2026. A articulação foi consolidada durante uma reunião em Brasília que reuniu lideranças tucanas, representantes do Cidadania e integrantes do Solidariedade.
O movimento marca uma tentativa clara de recolocar o campo do centro democrático no debate nacional diante do cenário de forte polarização política que domina o país nos últimos anos. Nos bastidores, dirigentes das legendas avaliam que há espaço para uma candidatura que dialogue com o eleitorado cansado dos embates ideológicos entre lulismo e bolsonarismo.
Aécio Neves, que já preside a federação PSDB-Cidadania desde o ano passado, teve seu nome defendido por diferentes diretórios estaduais como principal alternativa da legenda para a corrida presidencial. Segundo lideranças partidárias, o objetivo é reconstruir o protagonismo nacional do PSDB com uma agenda voltada para responsabilidade fiscal, estabilidade institucional e retomada do crescimento econômico.
Participaram da reunião o presidente nacional do Cidadania, Alex Manente, o presidente do Solidariedade, Paulinho da Força, o líder do PSDB na Câmara, Adolfo Viana, além do ex-deputado Roberto Freire e outras lideranças partidárias.
Embora o apoio político já tenha sido formalizado internamente, Aécio ainda não confirmou oficialmente se aceitará disputar o Palácio do Planalto. Integrantes da federação afirmam que não há prazo definido para a decisão.
Após o encontro, o deputado afirmou ter recebido a manifestação com “honra” e voltou a criticar o ambiente de radicalização política no Brasil. Segundo ele, grande parte da população demonstra insatisfação com os caminhos apresentados até agora para a sucessão presidencial.
Aécio defendeu a construção de um projeto nacional que vá além dos partidos políticos e consiga dialogar com setores da sociedade civil. Sem citar diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou lideranças ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o parlamentar afirmou que o país precisa encontrar um caminho diferente para voltar a crescer com estabilidade.
Durante sua fala, o tucano evitou utilizar a expressão “terceira via”, argumentando que o Brasil necessita de uma alternativa efetiva de futuro e não apenas de uma candidatura intermediária entre dois polos políticos.
O movimento em torno do nome de Aécio ganhou força nos últimos dias após sete diretórios estaduais do PSDB divulgarem manifestações públicas de apoio ao deputado mineiro. Rio Grande do Sul, Goiás, Paraná, São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro e Distrito Federal aderiram ao posicionamento.
Em nota conjunta, os diretórios defenderam a construção de uma candidatura de centro capaz de superar o clima de confronto permanente instalado na política brasileira. A avaliação interna é de que a sociedade busca mais equilíbrio, previsibilidade econômica e diálogo institucional.
A movimentação também representa uma tentativa do PSDB de recuperar relevância nacional após sucessivas perdas eleitorais nos últimos ciclos políticos. Historicamente associado a pautas de responsabilidade econômica e reformas estruturais, o partido busca se reposicionar como alternativa moderada em um cenário marcado por disputas cada vez mais ideológicas.
Aécio Neves disputou a Presidência da República em 2014, quando chegou ao segundo turno contra Dilma Rousseff (PT), em uma eleição considerada uma das mais acirradas da história recente do país.