
O PSDB da Bahia entrou em 2026 com um objetivo claro: ampliar sua presença na Câmara dos Deputados e deixar de ser um partido de apenas uma cadeira federal no estado. A estratégia passa pela reeleição de Adolfo Viana e pela construção de nomes competitivos em colégios eleitorais estratégicos, como Feira de Santana e Salvador.
No centro dessa articulação está Pablo Roberto, atual vice-prefeito de Feira de Santana e secretário municipal de Educação. Com forte desempenho eleitoral recente, Pablo desponta como principal aposta do PSDB para disputar votos na “Princesinha do Sertão”, segundo maior colégio eleitoral da Bahia. Em 2022, quando concorreu à Assembleia Legislativa, concentrou mais de 42 mil votos apenas no município, demonstrando capilaridade local e recall eleitoral.
Nos bastidores, a possível aproximação do ex-prefeito de Salvador ACM Neto com o projeto tucano em Feira é vista como um fator decisivo. Diante de ruídos na relação entre Neto e o prefeito José Ronaldo, o apoio a Pablo Roberto seria uma forma de manter um palanque forte no município e evitar o avanço do PT na região, hoje representado em Brasília por Zé Neto.
Outro nome no radar do PSDB é Carlos Muniz Filho, que carrega o peso político do pai, o presidente da Câmara Municipal de Salvador, Carlos Muniz. A ideia do partido é consolidar uma candidatura competitiva na capital, ampliando a votação tucana em Salvador e entorno metropolitano.
Internamente, lideranças avaliam que a permanência de Pablo Roberto no PSDB é o cenário mais viável do ponto de vista eleitoral. Uma eventual migração para o União Brasil criaria disputas internas em Feira de Santana e reduziria o espaço político do vice-prefeito. No PSDB, ele tende a ocupar posição central na chapa, com maior autonomia e visibilidade.
Com esse desenho, os tucanos buscam repetir na Bahia uma estratégia já testada em outros estados: combinar um nome consolidado, como Adolfo Viana, com candidaturas regionais fortes e herdeiros políticos com base urbana, ampliando a chance de conquistar até três cadeiras federais. O sucesso da operação dependerá da capacidade de costurar alianças locais e de manter unidade interna até o início oficial da campanha.