PT lança cartilha para treinadores de influenciadores a espalhar ódio online

PT lança cartilha para treinadores de influenciadores a espalhar ódio online
Manual orienta militância digital sobre ataques verbais, uso de rótulos políticos e atuação coordenada nas redes sociais

O PT lançou uma cartilha voltada a influenciadores e ativistas digitais ligados ao partido, com orientações jurídicas e estratégicas para atuação política nas redes sociais em defesa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O material, com mais de 90 páginas, foi apresentado como resposta a demandas da própria militância, que relatou dúvidas frequentes e processos judiciais decorrentes de publicações online.

O manual chama atenção especialmente pela abordagem sobre o uso de rótulos políticos e acusações pessoais. A cartilha trata de termos como “fascista”, “genocida” e “corrupto”, alertando que seu uso pode gerar riscos legais caso não exista condenação judicial. Ainda assim, o documento orienta como empregar esse tipo de linguagem dentro do que classifica como “crítica política”, delimitando estratégias para reduzir a chance de responsabilização judicial.

Além do discurso verbal, a publicação dedica capítulos específicos à produção e divulgação de vídeos. O texto orienta que militantes avaliem se o conteúdo foi gravado em espaço público, se expõe indivíduos de forma direta, se envolve crianças ou pessoas vulneráveis e se pode gerar constrangimento. A recomendação central é manter o foco no “fato político”, evitando aspectos da vida pessoal, mas sempre documentando o contexto para eventual defesa jurídica.

Outro ponto abordado é a necessidade de organização e rastreabilidade das ações digitais. A cartilha recomenda que influenciadores arquivem links, vídeos originais e capturas de tela de todas as publicações, criando um histórico que possa ser utilizado em caso de questionamentos na Justiça.

O material foi desenvolvido com participação de militantes ligados à rede “Pode Espalhar”, grupo de influenciadores alinhados ao PT que atua de forma coordenada nas redes sociais em momentos considerados estratégicos pelo partido. Segundo integrantes do projeto, a iniciativa busca proteger a militância e padronizar a comunicação política digital.

Para críticos, porém, a cartilha evidencia a profissionalização de uma estratégia de enfrentamento agressivo no ambiente online, institucionalizando práticas de rotulagem, pressão digital e conflito permanente nas redes. O debate reacende discussões sobre os limites entre crítica política, discurso de ódio e o uso organizado das plataformas digitais como instrumento de disputa de poder.