Rebeca Romero: “O campo que produz riqueza também precisa cuidar do agricultor”

Quando se fala em agronegócio em Goiás, os primeiros números geralmente aparecem relacionados à produção, às exportações, ao PIB e à produtividade. Mas existe outro indicador que merece atenção: as pessoas que trabalham diariamente para fazer essa cadeia funcionar.
O agronegócio não é formado apenas pelo proprietário da fazenda. Existe uma enorme cadeia de trabalhadores, transportadores, técnicos, operadores de máquinas, vendedores, profissionais de assistência técnica, trabalhadores familiares e prestadores de serviços.
Dados do terceiro trimestre de 2025, mostram que 623.066 pessoas estavam empregadas no agronegócio goiano, representando 60,7% da população ocupada no setor. A categoria de empregadores reunia outros 52.001 trabalhadores.
Esses números ajudam a dimensionar o tamanho humano do agronegócio. O setor é fundamental para a economia estadual. Em 2025, a agropecuária foi uma das principais responsáveis pelo crescimento do PIB goiano, chegando a registrar expansão de 16,8% no acumulado de janeiro a abril.
Mas o crescimento econômico não pode esconder as perguntas sobre quem trabalha na base dessa produção. Como está o acesso à qualificação profissional? Como garantir segurança no trabalho? Como melhorar as condições de transporte e infraestrutura? Como preparar os trabalhadores para uma agricultura cada vez mais tecnológica?
Mas o crescimento econômico não pode esconder as perguntas sobre quem trabalha na base dessa produção. Como está o acesso à qualificação profissional? Como garantir segurança no trabalho? Como melhorar as condições de transporte e infraestrutura? Como preparar os trabalhadores para uma agricultura cada vez mais tecnológica?
O trabalhador rural do futuro provavelmente precisará dominar tecnologias que, há poucos anos, pareciam distantes da realidade de uma propriedade agrícola.
Ao mesmo tempo, existe outro desafio: a sucessão familiar. Muitas propriedades dependem de uma nova geração disposta a continuar no campo. Se os jovens enxergam a atividade rural apenas como falta de oportunidades, o setor poderá enfrentar dificuldades para renovar sua mão de obra.
Por isso, discutir o futuro do agronegócio significa também discutir o futuro de quem trabalha nele. O campo precisa de crédito, tecnologia, estradas, energia e mercado. Mas precisa igualmente de gente preparada, valorizada e protegida.
Goiás pode continuar aumentando sua produção. Pode modernizar suas propriedades. Pode conquistar novos mercados. Mas nenhum avanço será completo se as pessoas que fazem essa produção acontecer forem esquecidas. Porque antes da máquina, da lavoura e do número da exportação, existe alguém que acorda cedo e vai trabalhar. E esse trabalhador também precisa fazer parte da história do desenvolvimento de Goiás.
Rebeca Romero é jornalista e candidata a deputada federal
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