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Economia

Relatório sobre quebra do SVB reacende confronto de Trump com dirigentes do Fed

Por Brasil no Centro Publicado em 19 de setembro de 2026 às 17:14 5 min de leitura
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Relatório sobre quebra do SVB reacende confronto de Trump com dirigentes do Fed

Um novo relatório sobre a quebra do Silicon Valley Bank (SVB), em 2023, reacendeu o confronto político entre o governo dos Estados Unidos e dirigentes do Federal Reserve. A avaliação independente, conduzida pela Starling Advisory Group a pedido da vice-presidente do Fed para supervisão, Michelle Bowman, concluiu que os supervisores do banco central americano identificaram ou deveriam ter identificado os principais problemas do SVB com antecedência, mas não adotaram medidas suficientemente rápidas para contê-los.

As conclusões foram apresentadas nesta sexta-feira (18) por Bowman, durante um evento em Londres. Segundo ela, a investigação apontou uma cultura de aversão ao risco dentro da estrutura de supervisão do Fed. Funcionários teriam considerado mais seguro não agir enquanto não tivessem certeza absoluta de que determinada intervenção seria a decisão correta.

O relatório também apontou falta de clareza sobre quem tinha autoridade para determinar medidas de supervisão. De acordo com a avaliação apresentada por Bowman, os problemas do SVB já eram conhecidos ou deveriam ter sido conhecidos pelos supervisores desde março de 2022, cerca de um ano antes da quebra da instituição.

O banco entrou em colapso em março de 2023 depois de enfrentar fortes perdas não realizadas em sua carteira de títulos, uma base de depósitos considerada vulnerável e altamente concentrada em empresas de tecnologia e capital de risco, além de dificuldades operacionais para acessar recursos emergenciais do Federal Reserve.

O SVB acabou se tornando a segunda maior quebra bancária da história dos Estados Unidos e sua crise atingiu outras instituições, como o Signature Bank e o First Republic Bank. A turbulência levou os reguladores americanos a adotar medidas extraordinárias para conter o risco de contágio no sistema financeiro.

Relatório contradiz avaliação anterior do Fed

A nova análise também reabre uma divergência em relação à investigação conduzida anteriormente pelo próprio Federal Reserve. O trabalho anterior, liderado por Michael Barr, então responsável pela supervisão bancária, havia apontado falhas regulatórias e de supervisão e atribuído parte dos problemas ao ambiente de flexibilização das regras bancárias adotado após mudanças legislativas de 2018.

A revisão apresentada agora por Bowman chegou a uma conclusão diferente nesse ponto. Segundo os resultados preliminares, os atrasos na atuação dos supervisores não foram provocados pelas regras de flexibilização regulatória de 2018 nem por uma orientação da direção do Fed para reduzir a intensidade da fiscalização.

A mudança de diagnóstico tem forte dimensão política. A Casa Branca voltou a criticar Barr após a divulgação das conclusões. O porta-voz Kush Desai afirmou que o relatório reforça as críticas feitas pelo presidente Donald Trump (Partido Republicano) à condução do Federal Reserve e disse que Barr não teria cumprido adequadamente seu papel durante a crise do SVB.

Barr, por sua vez, não comentou as novas conclusões.

A revisão também ocorre em um momento de pressão do governo Trump sobre a estrutura do banco central americano. O presidente já havia entrado em conflito com dirigentes do Fed em torno das decisões sobre juros e da política de supervisão financeira.

Social media não teria provocado corrida bancária

Outro ponto relevante do novo relatório diz respeito ao papel das redes sociais na corrida aos depósitos do SVB. Segundo a análise apresentada por Bowman, não foram encontradas evidências de que publicações nas redes tenham provocado ou acelerado a retirada de recursos do banco.

A consultoria Charles River Associates, contratada pela Starling para examinar essa questão, concluiu que 96% das manifestações nas redes sociais relacionadas à corrida aos depósitos ocorreram depois de o colapso do banco já ser considerado inevitável.

A conclusão contrasta com interpretações anteriores que atribuíam às redes sociais parte importante da velocidade com que os clientes retiraram dinheiro da instituição.

Debate sobre regras bancárias ganha novo capítulo

A disputa em torno do relatório ocorre paralelamente a uma revisão mais ampla das regras de supervisão financeira nos Estados Unidos. Bowman defende mudanças nos procedimentos do Fed e anunciou medidas para que os examinadores passem a comunicar mensalmente aos responsáveis pela supervisão eventuais problemas que possam exigir intervenção.

A intenção, segundo a autoridade, é reduzir a possibilidade de que questões relevantes permaneçam sem resposta por falta de clareza sobre quem deve tomar a decisão.

A avaliação, entretanto, já provocou reação de críticos da atual direção do Federal Reserve. A senadora Elizabeth Warren, democrata e integrante da Comissão Bancária do Senado, afirmou que a revisão poderia servir para reescrever a interpretação sobre o colapso do SVB e abrir espaço para uma flexibilização adicional das regras do setor.

Organizações de defesa de uma regulação bancária mais rígida também questionaram as conclusões. A Better Markets, por exemplo, afirmou que as falhas de supervisão já documentadas pelo próprio Fed não podem ser afastadas por uma nova interpretação do episódio.

Bowman, porém, afirma que o objetivo da revisão não é atribuir culpa individual, mas identificar os erros cometidos antes da quebra do SVB e modificar os procedimentos para evitar que problemas semelhantes voltem a ameaçar a estabilidade financeira americana. O relatório divulgado nesta sexta-feira corresponde às conclusões iniciais de uma avaliação que ainda terá novos capítulos.