Rodrigo Garcia pode ser o candidato do Progressistas contra Tarcísio em São Paulo

Desgaste com o Palácio dos Bandeirantes e pressão de prefeitos levam PP a discutir nome próprio para 2026

Rodrigo Garcia pode ser o candidato do Progressistas contra Tarcísio em São Paulo
Ronny Santos - 1.jul.25/Folhapress

O tabuleiro político paulista para 2026 começa a ganhar novos contornos, e uma possível disputa interna no campo da centro-direita já está no radar. O Progressistas avalia lançar o ex-governador Rodrigo Garcia como candidato próprio ao governo de São Paulo, em um movimento que pode colocá-lo frente a frente com o atual governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos.

Rodrigo Garcia está sem partido desde março de 2024, quando deixou o PSDB, e tem mantido conversas com dirigentes do PP sobre uma eventual filiação. O partido reconhece que o nome do ex-governador tem capilaridade política e forte trânsito municipal, especialmente entre prefeitos. Em 2022, Garcia chegou a reunir o apoio de cerca de 500 dos 645 prefeitos paulistas no primeiro turno da eleição estadual, um ativo considerado relevante para a construção de palanques regionais.

Nos bastidores, o avanço dessa discussão está ligado ao crescente descontentamento de prefeitos e parlamentares do PP com a gestão Tarcísio. A legenda tem reclamado de falta de diálogo político e de atenção às demandas do partido na Assembleia Legislativa e no Congresso. Em nota divulgada no fim de dezembro, o PP citou “queixas recorrentes” e sinalizou que pode rever sua posição no tabuleiro estadual.

Apesar disso, lideranças do partido ponderam que a prioridade estratégica da sigla pode ser outra. O foco principal do Progressistas, neste momento, seria a disputa pelo Senado em São Paulo, com o nome do deputado federal Guilherme Derrite, ex-secretário de Segurança Pública, visto como mais competitivo para uma eleição majoritária nacionalizada.

Ainda assim, o nome de Rodrigo Garcia segue sendo tratado como alternativa viável para liderar um projeto próprio ao governo estadual, especialmente como forma de fortalecer as chapas proporcionais do partido. Garcia também teve papel relevante na política recente da capital, atuando como conselheiro e um dos formuladores do plano de governo do prefeito Ricardo Nunes na campanha de reeleição em 2024.

Após a divulgação das articulações, Rodrigo Garcia declarou publicamente que apoia uma eventual candidatura de Tarcísio à reeleição, afirmando que o governador representa valores que ele sempre defendeu na política. Mesmo assim, no Progressistas, o cenário segue em aberto. A legenda avalia que o alinhamento nacional, especialmente diante da pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, pode exigir um nome ao governo paulista mais afinado com o projeto nacional do partido.

Além de Garcia, o PP chegou a mencionar outros nomes como possíveis alternativas, entre eles o deputado federal Ricardo Salles e o articulador político Filipe Sabará, embora ambos tenham imposto condicionantes ou negado intenção de disputar contra o atual governador.

Com isso, São Paulo caminha para um cenário de maior fragmentação no campo governista, abrindo espaço para disputas internas que podem redefinir alianças e estratégias até 2026.