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Economia

Sem controle dos gastos de Lula, Brasil pode entrar em 2027 com juros de 13,75%, alerta Mansueto Almeida

Economista-chefe do BTG Pactual cobra ajuste nas contas públicas e alerta que ausência de medidas fiscais pode interromper a queda da Selic ainda em 2026.

Por Brasil no Centro Publicado em 30 de outubro de 2026 às 13:26 5 min de leitura
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Sem controle dos gastos de Lula, Brasil pode entrar em 2027 com juros de 13,75%, alerta Mansueto Almeida

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisará apresentar medidas concretas para conter o crescimento das despesas públicas se quiser preservar o ciclo de redução da taxa básica de juros. O alerta foi feito pelo economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, nesta quinta-feira (29), durante um evento do banco em São Paulo. Segundo ele, a ausência de um plano fiscal pode levar o Brasil a iniciar 2027 com a Selic em 13,75% ao ano, patamar considerado elevado para estimular investimentos e sustentar a atividade econômica.

Ex-secretário do Tesouro Nacional durante o governo Michel Temer (MDB), Mansueto afirmou que a continuidade da redução dos juros dependerá da capacidade do presidente reeleito de demonstrar compromisso com o equilíbrio das contas públicas. Para o economista, o controle do crescimento dos gastos é indispensável para permitir que o Banco Central mantenha sua política de flexibilização monetária sem comprometer o combate à inflação.

A avaliação ocorre em meio à reação do mercado financeiro à vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. Desde o resultado, divulgado no domingo (25), a Bolsa brasileira registrou perdas e o real sofreu desvalorização diante das incertezas sobre a condução da política econômica no próximo mandato.

Mansueto considera que a definição da equipe econômica e a apresentação de um programa fiscal nos próximos 30 dias poderão contribuir para reduzir a desconfiança dos investidores. Na avaliação dele, o cenário econômico brasileiro não é necessariamente desfavorável, mas exige decisões capazes de garantir maior previsibilidade sobre a trajetória das despesas e da dívida pública.

O economista destacou que o atual nível dos juros representa um obstáculo tanto para as empresas quanto para o próprio governo. Taxas elevadas encarecem o crédito, dificultam novos investimentos e aumentam as despesas com o financiamento da dívida pública.

Sem uma sinalização convincente de responsabilidade fiscal, a tendência, segundo Mansueto, é que o Banco Central encontre dificuldades para continuar reduzindo a Selic. A preocupação envolve principalmente as expectativas de inflação para os próximos anos, que podem subir caso o mercado considere insuficientes as medidas de contenção das despesas.

O economista também apontou que o ambiente internacional contribui para a cautela dos investidores. O comportamento dos preços do petróleo tem pressionado as projeções de inflação em diferentes países, tornando mais complexo o cenário para decisões de política monetária.

No caso brasileiro, entretanto, Mansueto considera que a principal questão continua sendo a capacidade do governo de administrar suas próprias contas. Para ele, mesmo um compromisso de fortalecimento do atual arcabouço fiscal poderia representar uma sinalização positiva ao mercado, desde que acompanhado de medidas efetivas.

A perspectiva para o início de 2027 também preocupa. Segundo o economista-chefe do BTG Pactual, a economia brasileira já apresenta sinais de desaceleração desde o encerramento do segundo trimestre de 2026, movimento que deverá se refletir no desempenho da atividade econômica durante os primeiros meses do novo mandato presidencial.

Mansueto observou que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que surpreendeu positivamente nos últimos quatro anos, esteve associado principalmente à expansão do emprego e à redução do desemprego. O avanço da produtividade, por outro lado, não acompanhou o mesmo ritmo, limitando as condições para uma expansão econômica mais duradoura.

Entre as medidas consideradas necessárias, o economista defendeu mudanças nas despesas obrigatórias, responsáveis por comprometer uma parcela significativa do orçamento federal. Ele também apontou a necessidade de uma reforma administrativa que estabeleça limites remuneratórios efetivos para as diferentes carreiras do serviço público.

Outra prioridade mencionada foi a revisão dos incentivos tributários concedidos a setores específicos da economia. Segundo Mansueto, determinados benefícios geram distorções e custos que acabam sendo distribuídos entre empresas e contribuintes, prejudicando a eficiência econômica.

O economista também defendeu a ampliação de concessões à iniciativa privada, acompanhada do fortalecimento das agências reguladoras e de garantias de segurança jurídica. O respeito aos contratos e a estabilidade das regras foram apresentados como condições importantes para atrair investimentos de longo prazo.

Para Mansueto, a combinação de responsabilidade fiscal, reformas administrativas e maior participação do investimento privado poderá criar condições para uma trajetória sustentável de redução dos juros. Sem essas medidas, o Brasil poderá enfrentar um início de mandato marcado por crédito caro, menor disposição para investir e crescimento econômico enfraquecido.

A definição da política fiscal do quarto governo Lula deverá ganhar importância nas próximas semanas, quando o presidente começará a organizar sua nova equipe econômica e estabelecer as prioridades da administração que terá início em janeiro de 2027.