
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, intensificou suas viagens pelo país desde que passou a se colocar como pré-candidato à Presidência da República e, com isso, levou os gastos com aeronaves oficiais do estado a um patamar recorde. Em 2025, o governo mineiro desembolsou quase R$ 1,5 milhão apenas em combustível de aviação, valor superior inclusive ao registrado no ano eleitoral de 2022.
Levantamento a partir de dados do Portal da Transparência mostra que o avião oficial do governo de Minas tem sido utilizado com frequência em deslocamentos para eventos partidários e agendas políticas fora do estado, muitos deles sem relação direta com compromissos institucionais. Em diversas ocasiões, viagens para encontros do partido Novo ocorreram em datas próximas a agendas oficiais, o que permitiu o uso da aeronave pública para atividades de caráter político.
Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu no fim de outubro, quando Zema deixou uma reunião institucional no Rio de Janeiro e seguiu para Campinas, onde participou de um evento do Novo voltado à apresentação de pré-candidaturas para 2026. A chegada ao encontro partidário se deu por meio de voo custeado pelo governo de Minas, e o compromisso político foi o único registro público do governador na cidade naquele dia. Horas depois, o avião retornou a Belo Horizonte, novamente com despesas arcadas pelo Estado.
Desde o anúncio oficial de sua pré-candidatura, em agosto, Zema passou a percorrer diferentes regiões do país, incluindo Sul, Centro-Oeste e Nordeste, participando de encontros partidários, reuniões políticas e articulações para formação de alianças. Apenas uma dessas viagens não utilizou aeronave oficial. O destino mais frequente tem sido São Paulo, onde o governador mineiro se lançou nacionalmente e mantém diálogo constante com lideranças políticas.
Os números revelam uma escalada nos gastos. Em 2023, o governo gastou cerca de R$ 630 mil com combustível de aeronaves. Em 2024, o valor subiu para R$ 1 milhão. Já em 2025, o total chegou a R$ 1,5 milhão, o maior desde o início da gestão Zema. A fornecedora do combustível no último ano foi a Rede Sol Fuel Distribuidora, empresa que chegou a ser alvo de investigação em outra operação policial, embora negue irregularidades.
Questionado, o governo de Minas afirma que um decreto estadual autoriza o uso do avião oficial pelo governador em deslocamentos de qualquer natureza, sob justificativa de segurança. A administração também sustenta que houve redução no custo médio da hora voada e que Zema cumpre rigorosamente seus compromissos institucionais.
Ainda assim, o uso recorrente de aeronaves públicas para agendas com claro viés político reacende o debate sobre limites éticos, legalidade e responsabilidade no uso de recursos públicos, especialmente em um contexto de pré-campanha presidencial antecipada. Para críticos, o caso expõe uma contradição entre o discurso de austeridade e a prática adotada pelo governador mineiro.