
O pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) afirmou que não se considera bolsonarista, apesar de reconhecer que apoiou Jair Bolsonaro na eleição de 2022. Durante entrevista ao canal Derrubando Muros, o ex-governador de Minas Gerais declarou que sua posição teve como objetivo fazer oposição ao PT, mas ressaltou que manteve diferenças em relação ao ex-presidente em temas como a condução da pandemia de Covid-19.
Segundo Zema, a associação entre seu nome e o de Bolsonaro ocorre principalmente pelo fato de ambos terem sido eleitos em 2018 e por compartilharem posições no campo da direita. O pré-candidato, entretanto, afirmou que nunca integrou o mesmo partido do ex-presidente e disse que sua gestão em Minas Gerais adotou uma postura distinta durante a crise sanitária.
Ao comentar a pandemia, Zema afirmou que seguiu orientações científicas e defendeu que sua administração tomou decisões diferentes das adotadas pelo governo federal naquele período. Para ele, essa diferença demonstra que sua atuação política não pode ser confundida automaticamente com a de Bolsonaro.
Durante a entrevista, o ex-governador também voltou a defender a realização de um novo julgamento sobre os pedidos de anistia relacionados aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Na avaliação de Zema, uma nova análise poderia ocorrer com maior aprofundamento jurídico. Ele também declarou confiar nas urnas eletrônicas, embora tenha defendido mecanismos adicionais de auditoria para o sistema eleitoral.
As declarações ocorrem em um momento de reorganização das candidaturas para a disputa presidencial de 2026. Nos últimos meses, Zema passou a adotar um discurso de maior autonomia em relação ao grupo político liderado por Bolsonaro, especialmente após divergências públicas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro.
A movimentação também provocou repercussões internas no Partido Novo. Divergências entre diretórios estaduais levaram ao cancelamento da participação de Zema em um evento partidário em Santa Catarina, evidenciando diferenças de posicionamento dentro da própria legenda em relação aos rumos da eleição presidencial.