4 mulheres são assassinadas por dia no Brasil; 2025 bateu recorde de feminicídios

Feminicídios atingem o número mais alto da década, com um aumento de 316% em dez anos. Especialistas alertam para subnotificação e crescimento da violência contra mulheres.

4 mulheres são assassinadas por dia no Brasil; 2025 bateu recorde de feminicídios

Em 2025, o Brasil registrou um número alarmante de feminicídios, com 1.470 mulheres assassinadas em circunstâncias relacionadas ao seu gênero. Isso representa uma média de quatro mortes por dia, o que configura o recorde mais alto da última década, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número de feminicídios superou os 1.464 casos registrados em 2024, e é um aumento significativo em relação ao primeiro ano de tipificação do crime, em 2015, quando ocorreram 535 mortes.

Esse crescimento nos feminicídios reflete um aumento de 316% em apenas dez anos, um dado alarmante e que exige uma análise profunda da realidade da violência de gênero no país. O número de casos cresce de forma constante desde a criação da tipificação do feminicídio, e mesmo com o avanço das políticas públicas, o Brasil ainda enfrenta uma realidade cruel de assassinatos de mulheres motivados pela violência doméstica, discriminação de gênero e ódio.

São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro são os estados que lideram os registros, com destaque para São Paulo, com 233 feminicídios no último ano. No total, foram 4.518 mortes de mulheres nos últimos dez anos, com uma média de 1.345 feminicídios anuais. Mas o número real pode ser ainda maior, pois muitos casos são registrados como homicídios comuns, e a tipificação nem sempre é corretamente aplicada.

A Diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, alerta que o número de feminicídios pode estar subestimado, já que muitos crimes ainda não são adequadamente classificados. Ela ressalta que, mesmo com um número crescente de registros, ainda há uma lacuna na forma como o Brasil trata esses crimes.

Aumento da violência e subnotificação

Outro aspecto alarmante, apontado pelos especialistas, é a aumento generalizado da violência contra mulheres em diferentes formas: perseguições, espancamentos, estrangulamentos, entre outros. Esses crimes podem ser o precursor para um feminicídio, e muitas vezes, a vítima só é identificada como tal após o assassinato.

Casos como o de Tainara Souza Santos, atropelada e arrastada por seu ex-ficante em São Paulo, e o brutal incêndio em Recife que matou Isabele Gomes de Macedo e seus quatro filhos, expõem a violência extrema que muitas mulheres enfrentam dentro de relações abusivas.

Mudança no Código Penal: Lei mais rígida

Em outubro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou um projeto de lei que visa aumentar as penas para feminicídios. Com a nova legislação, as penas para assassinatos motivados por violência doméstica podem variar de 20 a 40 anos de prisão, com aumento de 1/3 caso a vítima seja grávida, tenha filhos ou pais presentes no momento do crime, ou se for menor de 14 anos ou maior de 60 anos.

Essa mudança busca trazer uma resposta mais severa e contundente para o crime de feminicídio, com o intuito de fortalecer a proteção às mulheres e combater a violência de gênero de forma mais eficaz. Contudo, a luta contra o feminicídio no Brasil ainda está longe de ser vencida, e é preciso mais ações efetivas para garantir que as mulheres estejam seguras e protegidas em todos os âmbitos da sociedade.