8,4 milhões de brasileiros não sabem ler nem escrever

O Brasil ainda convive com um desafio estrutural na área da educação básica: 8,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais não sabem ler nem escrever. O dado, referente a 2025, mostra que o país avançou na redução do analfabetismo ao longo da última década, mas ainda não conseguiu superar desigualdades históricas que se concentram principalmente no Nordeste.
Segundo a Pnad Contínua, pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais da metade dos brasileiros analfabetos está na região Nordeste, que reúne 57,4% desse total. O número absoluto chega a 4,8 milhões de pessoas, um contingente superior à população de estados inteiros, como o Amazonas.
Em 2025, a taxa de analfabetismo da população com 15 anos ou mais caiu para 4,9%, marcando o menor nível da série histórica e, pela primeira vez, ficando abaixo da marca de 5%. Em 2016, quando o indicador começou a ser acompanhado de forma sistemática, o percentual era de 6,7%, o equivalente a mais de 10,6 milhões de brasileiros.
Na comparação com o ano anterior, a redução foi de 0,4 ponto percentual, o que representa cerca de 592 mil pessoas a menos em situação de analfabetismo. Ainda assim, o avanço ocorre de forma desigual entre as regiões do país.
Depois do Nordeste, o Sudeste concentra 20,4% dos analfabetos, seguido pelo Sul, com 14,8%, pelo Norte, com 8,2%, e pelo Centro-Oeste, com 7,9%. O levantamento mostra ainda que, com exceção do Amapá, todos os estados reduziram seus índices no período analisado, embora as maiores taxas ainda estejam concentradas em unidades federativas nordestinas.
A pesquisa define como analfabeta a pessoa incapaz de ler e escrever um bilhete simples. O estudo também evidencia o impacto da desigualdade geracional, já que o problema é mais concentrado entre os mais velhos. Entre pessoas com 60 anos ou mais, a taxa chega a 13,8%, embora tenha caído em relação a 2016, quando era de 20,5%.
Esse grupo representa 58% de todos os analfabetos do país, o que corresponde a 4,8 milhões de pessoas. O levantamento também aponta mudanças no recorte de gênero: entre os idosos, a taxa de analfabetismo é de 13,7% entre mulheres e 14,1% entre homens, indicando uma inversão histórica em relação ao padrão anterior.
Mesmo com a redução das desigualdades de gênero, a diferença racial segue marcante. Entre pessoas pretas ou pardas com mais de 60 anos, a taxa de analfabetismo é quase três vezes maior do que entre pessoas brancas, reforçando um legado de desigualdade educacional ainda presente no país.
Outro dado relevante do estudo mostra avanço no nível de escolaridade da população adulta. Em 2025, 57,4% das pessoas com mais de 25 anos haviam concluído pelo menos o ensino médio, contra 46% uma década antes. Entre mulheres, esse percentual é de 59,4%, enquanto entre homens chega a 55,2%.
Apesar dos avanços, a desigualdade racial permanece também nesse indicador: 64,9% das pessoas brancas concluíram a educação básica, contra 51,3% de pretos e pardos. Ainda assim, pela primeira vez, mais da metade da população preta e parda no país alcançou esse nível de escolarização.