Política com conteúdo. Centro com clareza.
sábado, 31 de outubro
Assinar
Agora
Adriana Vasconcelos: “120 mulheres, uma missão: transformar presença em poder”Hugo Motta quer aprovar voto distrital misto ainda em 2026, mas enfrenta resistência de PT e PLLula tenta reaproximação com Trump e Milei após atritos e aposta em novas alianças internacionaisCom 29 senadores do PL, esquerda busca apoio do centrão para evitar derrotas no SenadoIntelbras demite funcionário após publicação que sugeria execução das filhas de Flávio Bolsonaro
Economia

Correios pedem novo empréstimo de R$ 7 bilhões para tentar conter rombo

Estatal acumula prejuízo de R$ 5,55 bilhões no primeiro semestre e busca novo financiamento com garantia do Tesouro Nacional

Por Brasil no Centro Publicado em 10 de setembro de 2026 às 15:55 3 min de leitura
Compartilhar
Correios pedem novo empréstimo de R$ 7 bilhões para tentar conter rombo

Os Correios formalizaram uma nova proposta de financiamento de R$ 7 bilhões junto a bancos privados, em mais uma tentativa de reforçar o caixa e enfrentar a deterioração das contas da estatal. A operação ainda depende de garantia do Tesouro Nacional, que funcionaria como fiador do empréstimo.

A empresa confirmou que mantém negociações com instituições financeiras, mas informou que as condições da operação ainda estão em discussão e serão divulgadas oficialmente depois da conclusão do processo.

O novo pedido ocorre poucos meses depois de a estatal contratar um financiamento de R$ 12 bilhões, em dezembro de 2025. Na ocasião, participaram da operação Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, também com garantia do Tesouro Nacional.

Mesmo com os recursos já obtidos, os Correios continuam apresentando resultados negativos. A empresa registrou prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões apenas nos seis primeiros meses de 2026, valor 30,36% superior ao prejuízo de R$ 4,26 bilhões contabilizado no mesmo período do ano anterior.

No segundo trimestre, o resultado negativo chegou a R$ 2,39 bilhões. Apesar de representar uma redução de 5,5% na comparação com o mesmo período de 2025, o número mantém a estatal em uma situação financeira delicada. No primeiro trimestre deste ano, o prejuízo havia sido de R$ 3,16 bilhões.

A companhia atribui parte das dificuldades à redução das receitas, ao peso das despesas financeiras e às contingências judiciais. Em comunicado, os Correios afirmaram que a recuperação depende da combinação de aumento de receitas, eficiência operacional e modernização do modelo de negócios.

O desempenho recente prolonga uma sequência de resultados preocupantes. Em 2025, os Correios encerraram o ano com prejuízo de R$ 8,5 bilhões, mais de três vezes o resultado negativo registrado em 2024, quando a perda havia sido de R$ 2,6 bilhões.

Além da busca por crédito, a estatal vem adotando medidas para reduzir despesas e levantar recursos. Um novo programa de desligamento voluntário foi lançado neste ano como tentativa de diminuir os custos com pessoal. Os funcionários que aderirem podem receber entre R$ 24,4 mil e R$ 459 mil em benefícios, pagos em parcela única.

Desde 2017, os Correios já realizaram três programas desse tipo, com a adesão de 7.254 trabalhadores. O número, porém, ficou abaixo das metas estabelecidas pela própria empresa.

Outra frente de atuação é a venda de imóveis. A estatal acelerou a alienação de terrenos, prédios e pontos comerciais que estavam sem utilização ou apresentavam custos elevados de manutenção. Mais de 30 unidades foram vendidas nos últimos meses, gerando R$ 387 milhões.

A expectativa dos Correios é alcançar R$ 1,5 bilhão em receitas com a venda de imóveis ao longo do ano. A empresa possui cerca de 2,3 mil propriedades espalhadas pelo país.

Do total arrecadado até agora, R$ 207 milhões vieram de leilões e outros R$ 180 milhões de vendas diretas para órgãos públicos.

O novo empréstimo de R$ 7 bilhões, caso seja aprovado, amplia o volume de recursos mobilizados para tentar reequilibrar as contas dos Correios. Ao mesmo tempo, a necessidade de sucessivas operações de crédito e o desempenho negativo da estatal mantêm em evidência o desafio de recuperar uma empresa que enfrenta mudanças profundas no mercado de entregas, marcado pelo avanço do comércio eletrônico e pela concorrência de operadores privados e estrangeiros.