Correios pedem novo empréstimo de R$ 7 bilhões para tentar conter rombo
Estatal acumula prejuízo de R$ 5,55 bilhões no primeiro semestre e busca novo financiamento com garantia do Tesouro Nacional

Os Correios formalizaram uma nova proposta de financiamento de R$ 7 bilhões junto a bancos privados, em mais uma tentativa de reforçar o caixa e enfrentar a deterioração das contas da estatal. A operação ainda depende de garantia do Tesouro Nacional, que funcionaria como fiador do empréstimo.
A empresa confirmou que mantém negociações com instituições financeiras, mas informou que as condições da operação ainda estão em discussão e serão divulgadas oficialmente depois da conclusão do processo.
O novo pedido ocorre poucos meses depois de a estatal contratar um financiamento de R$ 12 bilhões, em dezembro de 2025. Na ocasião, participaram da operação Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, também com garantia do Tesouro Nacional.
Mesmo com os recursos já obtidos, os Correios continuam apresentando resultados negativos. A empresa registrou prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões apenas nos seis primeiros meses de 2026, valor 30,36% superior ao prejuízo de R$ 4,26 bilhões contabilizado no mesmo período do ano anterior.
No segundo trimestre, o resultado negativo chegou a R$ 2,39 bilhões. Apesar de representar uma redução de 5,5% na comparação com o mesmo período de 2025, o número mantém a estatal em uma situação financeira delicada. No primeiro trimestre deste ano, o prejuízo havia sido de R$ 3,16 bilhões.
A companhia atribui parte das dificuldades à redução das receitas, ao peso das despesas financeiras e às contingências judiciais. Em comunicado, os Correios afirmaram que a recuperação depende da combinação de aumento de receitas, eficiência operacional e modernização do modelo de negócios.
O desempenho recente prolonga uma sequência de resultados preocupantes. Em 2025, os Correios encerraram o ano com prejuízo de R$ 8,5 bilhões, mais de três vezes o resultado negativo registrado em 2024, quando a perda havia sido de R$ 2,6 bilhões.
Além da busca por crédito, a estatal vem adotando medidas para reduzir despesas e levantar recursos. Um novo programa de desligamento voluntário foi lançado neste ano como tentativa de diminuir os custos com pessoal. Os funcionários que aderirem podem receber entre R$ 24,4 mil e R$ 459 mil em benefícios, pagos em parcela única.
Desde 2017, os Correios já realizaram três programas desse tipo, com a adesão de 7.254 trabalhadores. O número, porém, ficou abaixo das metas estabelecidas pela própria empresa.
Outra frente de atuação é a venda de imóveis. A estatal acelerou a alienação de terrenos, prédios e pontos comerciais que estavam sem utilização ou apresentavam custos elevados de manutenção. Mais de 30 unidades foram vendidas nos últimos meses, gerando R$ 387 milhões.
A expectativa dos Correios é alcançar R$ 1,5 bilhão em receitas com a venda de imóveis ao longo do ano. A empresa possui cerca de 2,3 mil propriedades espalhadas pelo país.
Do total arrecadado até agora, R$ 207 milhões vieram de leilões e outros R$ 180 milhões de vendas diretas para órgãos públicos.
O novo empréstimo de R$ 7 bilhões, caso seja aprovado, amplia o volume de recursos mobilizados para tentar reequilibrar as contas dos Correios. Ao mesmo tempo, a necessidade de sucessivas operações de crédito e o desempenho negativo da estatal mantêm em evidência o desafio de recuperar uma empresa que enfrenta mudanças profundas no mercado de entregas, marcado pelo avanço do comércio eletrônico e pela concorrência de operadores privados e estrangeiros.