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Política

Cotado para a Fazenda de Lula, Rafael Fonteles nega convite e diz que nunca discutiu cargo com presidente

Governador reeleito do Piauí ganha força para comandar a economia no quarto mandato de Lula, mas afirma que não houve conversas sobre ministérios.

Por Brasil no Centro Publicado em 30 de outubro de 2026 às 13:57 5 min de leitura
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Cotado para a Fazenda de Lula, Rafael Fonteles nega convite e diz que nunca discutiu cargo com presidente

Apontado como um dos principais nomes para assumir o Ministério da Fazenda no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), negou nesta quinta-feira (29) ter participado de qualquer negociação sobre cargos no futuro governo federal. A declaração ocorre em meio às articulações para a formação da nova equipe econômica, que assumirá suas funções em janeiro de 2027.

Em publicação na rede social X, Fonteles afirmou que nunca discutiu com Lula ou com qualquer outro interlocutor a possibilidade de integrar a administração federal. O governador também negou ter participado de conversas sobre os rumos da política econômica e disse desconhecer informações sobre uma eventual visita do presidente ao Piauí nos próximos dias.

A manifestação ocorreu depois que veículos de imprensa passaram a apontar a possibilidade de Lula viajar ao estado na próxima semana para apresentar pessoalmente um convite ao governador. Fonteles declarou que não tem conhecimento de qualquer compromisso presidencial nesse sentido.

Apesar da negativa, o nome do governador continua entre os mais citados nas discussões sobre o futuro comando da Fazenda. Sua aproximação com Lula ganhou força durante o segundo turno das eleições presidenciais, quando passou a integrar o núcleo responsável pela comunicação da campanha petista.

Após o resultado do primeiro turno, em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente, Fonteles assumiu uma participação mais ativa na estratégia de comunicação do presidente. Entre as mudanças atribuídas à sua atuação esteve a ampliação da presença de Lula nas redes sociais, com conteúdos mais espontâneos e vídeos gravados em formato de selfie.

A estratégia fez parte da reformulação da campanha que terminou com a reeleição do petista no último domingo (25). Fonteles comemorou o resultado e afirmou ter contribuído para a mobilização eleitoral que garantiu a vitória presidencial.

A participação na campanha reforçou a proximidade política entre o governador e Lula, mas sua eventual transferência para Brasília envolve uma decisão com consequências para o governo do Piauí.

Fonteles foi reeleito no primeiro turno das eleições estaduais, em 4 de outubro, com 70,90% dos votos válidos. O percentual foi o maior registrado entre os governadores eleitos em 2026, garantindo ao petista um novo mandato de quatro anos à frente do Executivo estadual.

Caso aceite assumir o Ministério da Fazenda antes da posse de janeiro, Fonteles precisará abrir mão do novo mandato conquistado nas urnas. A possibilidade representa um dos principais obstáculos à sua escolha para a equipe econômica do presidente.

Além da relação política com Lula, o governador possui experiência na administração das finanças públicas. Antes de chegar ao Palácio de Karnak, comandou a Secretaria da Fazenda do Piauí e presidiu o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz).

Durante sua passagem pelo órgão, participou das negociações envolvendo mudanças no sistema tributário brasileiro e das discussões sobre a reforma tributária, incluindo propostas relacionadas à PEC 45.

Formado em matemática pela Universidade Federal do Piauí e mestre em economia matemática pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), Fonteles reúne formação técnica e experiência política que passaram a ser consideradas nas especulações sobre a escolha do próximo ministro.

Na terça-feira (27), o atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, também comentou a possibilidade e classificou Fonteles como um nome com qualificações para ocupar o cargo. A manifestação ampliou a repercussão das informações sobre uma eventual mudança no comando da política econômica.

A definição da equipe econômica ocorre em um momento de cobranças por maior clareza sobre as prioridades fiscais do próximo governo. O mercado financeiro acompanha especialmente as sinalizações relacionadas ao crescimento das despesas públicas, ao cumprimento das metas fiscais e à trajetória da dívida federal.

O futuro ministro terá entre suas atribuições a condução da política fiscal, a administração das contas públicas e a interlocução com o Congresso Nacional sobre medidas econômicas. A escolha também será acompanhada por investidores diante das expectativas sobre inflação, juros e crescimento econômico.

Fonteles, por sua vez, tem ressaltado o resultado eleitoral alcançado no Piauí. Além de sua reeleição com mais de 70% dos votos, destacou que o estado garantiu a Lula seu maior percentual de votação na disputa presidencial e elegeu uma ampla bancada de parlamentares alinhados ao petista.

O governador também chamou atenção para o fato de o Partido Liberal não ter conseguido eleger deputados federais pelo estado, enquanto os aliados do presidente conquistaram nove das dez vagas do Piauí na Câmara dos Deputados e 27 das 30 cadeiras da Assembleia Legislativa.

Até o momento, não há confirmação de convite formal para que Rafael Fonteles assuma o Ministério da Fazenda. A definição dependerá das decisões de Lula sobre a composição do novo governo e da disposição do governador em deixar o mandato estadual para integrar a administração federal.