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Com 29 senadores do PL, esquerda busca apoio do centrão para evitar derrotas no Senado

Parlamentares do PT, PSB e PDT articulam alianças com partidos de centro para enfrentar o avanço da direita e garantir espaço às propostas do governo Lula

Por Brasil no Centro Publicado em 30 de outubro de 2026 às 14:20 7 min de leitura
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Com 29 senadores do PL, esquerda busca apoio do centrão para evitar derrotas no Senado

O crescimento do Partido Liberal (PL) no Senado Federal levou parlamentares de esquerda a iniciar articulações para enfrentar a nova composição da Casa a partir de fevereiro de 2027. Com a maior bancada partidária, o PL terá 29 dos 81 senadores, enquanto PT, PSB, PDT e Rede somarão 16 representantes. Diante dessa diferença, integrantes da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretendem intensificar as negociações com partidos de centro para formar maiorias em votações consideradas estratégicas.

Em entrevistas ao g1, senadores eleitos e reeleitos pelo PT, PSB e PDT defenderam a construção de acordos pontuais, a ampliação do diálogo com adversários políticos e a participação de organizações da sociedade civil nos debates legislativos. A estratégia busca preservar espaço para propostas do governo federal e impedir a aprovação de medidas consideradas contrárias às prioridades dessas legendas.

O novo cenário resulta das eleições de outubro, quando o PL conquistou 19 das 54 vagas em disputa. Consideradas as substituições decorrentes das eleições estaduais, o partido deverá iniciar a próxima legislatura com 29 integrantes, a maior bancada de uma única legenda no início de uma legislatura desde a promulgação da Constituição de 1988. A projeção foi atualizada pelo Senado Federal após a conclusão do segundo turno das eleições.

A bancada petista deverá contar com dez senadores, enquanto o PSB terá quatro representantes. PDT e Rede possuirão uma cadeira cada. Os demais parlamentares estarão distribuídos entre legendas como MDB, PP, União Brasil, PSD, Republicanos, PSDB, Novo e Podemos, além de um senador sem filiação partidária.

Reeleito por Pernambuco, Humberto Costa (PT) avalia que a chegada dos novos integrantes do PL tornará as negociações mais difíceis. Segundo o parlamentar, parte dos senadores eleitos apresenta posições mais rígidas em relação às pautas defendidas pelo governo federal, especialmente em questões sociais e de comportamento.

Apesar das dificuldades previstas, Costa considera possível construir maiorias para determinadas propostas que já possuem negociações avançadas. Entre os temas mencionados está o fim da escala de trabalho 6×1, defendido pelo governo Lula e por integrantes da bancada progressista.

O senador também prevê maior presença de projetos relacionados às chamadas pautas de costumes, incluindo iniciativas que pretendem restringir as hipóteses legais de interrupção da gravidez. Atualmente, o aborto é permitido no Brasil em casos de estupro, risco de vida da gestante e anencefalia fetal.

A disputa pela presidência do Senado constitui outro ponto central das articulações. Humberto Costa admite a possibilidade de apoio à recondução de Davi Alcolumbre (União Brasil), desde que eventuais acordos não envolvam concessões em temas considerados inegociáveis pelo PT, como a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

A aproximação com Alcolumbre também é considerada por Cid Gomes (PSB), reeleito pelo Ceará. O senador avalia que, embora o PL tenha ampliado consideravelmente sua representação, o partido não possui sozinho os votos necessários para controlar as decisões da Casa.

Segundo Cid, a nova composição deverá reunir três grandes grupos políticos: uma parcela alinhada à direita, outra identificada com a esquerda e um conjunto de parlamentares de partidos que poderão negociar apoio ao governo conforme as matérias em discussão.

O senador também considera que as divergências entre lideranças conservadoras poderão interferir na eleição para a presidência do Senado. Entre os possíveis interessados no comando da Casa, citou Rogério Marinho (PL) e Tereza Cristina (PP), que representam diferentes setores da direita.

Para Cid Gomes, Alcolumbre poderá reunir apoios de diversas legendas, aproveitando sua interlocução com parlamentares de distintas orientações políticas. A escolha do presidente do Senado ocorrerá em fevereiro de 2027, quando os novos integrantes tomarão posse.

Entre as estreantes, a senadora eleita pelo Rio Grande do Norte, Samanda de Lula (PT), defende uma atuação que combine articulação parlamentar e mobilização social. A petista pretende priorizar propostas relacionadas aos direitos dos trabalhadores, à proteção das mulheres e das crianças e às políticas voltadas à população de menor renda.

Samanda também afirma que buscará diálogo com senadores de outros partidos sempre que houver possibilidade de construir maiorias em torno de projetos específicos. Para ela, a atuação da esquerda não poderá se limitar à reação às iniciativas da oposição.

Eleita por Pernambuco, Marília Arraes (PDT) adota posição semelhante. A futura senadora pretende ampliar o diálogo com parlamentares que não se identificam com a esquerda e concentrar sua atuação em demandas relacionadas à segurança pública, emprego, renda, saúde e oportunidades econômicas.

Marília também considera que a defesa dos direitos das mulheres deverá ocupar espaço importante na próxima legislatura. Entre suas prioridades estão propostas de enfrentamento à violência, fortalecimento da autonomia feminina e ampliação da independência econômica das mulheres.

Em Minas Gerais, a senadora eleita Marília Campos (PT) pretende utilizar sua experiência à frente da Prefeitura de Contagem para estabelecer relações com parlamentares de diferentes partidos. Segundo ela, a administração municipal exige negociação permanente com governos e representantes políticos de distintas orientações.

A petista considera que a construção de acordos sobre demandas dos municípios poderá abrir espaço para entendimentos no Senado. Sua intenção é atuar nas comissões, participar de relatorias e negociar projetos diretamente com outros gabinetes, sem concentrar a atividade parlamentar exclusivamente nos pronunciamentos em plenário.

Marília Campos também pretende utilizar a tribuna para defender interesses de Minas Gerais e se manifestar sobre propostas que considere prejudiciais aos direitos sociais.

O crescimento do PL deverá influenciar não apenas a votação de projetos, mas também a composição das comissões permanentes e a distribuição de relatorias. A legenda terá condições de reivindicar participação expressiva nesses espaços, fundamentais para a tramitação de propostas legislativas.

Por outro lado, a formação de maiorias dependerá de negociações com bancadas que não integram diretamente os dois campos políticos. Partidos como MDB, PSD, União Brasil, PP e PSDB poderão participar de diferentes composições conforme os temas em discussão, suas posições institucionais e os acordos firmados entre as lideranças.

A nova legislatura começará em um momento de reorganização das forças políticas nacionais, após a reeleição de Lula e a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. Embora o petista tenha conquistado mais quatro anos no Palácio do Planalto, seu governo enfrentará um Senado com representação ampliada da oposição.

As primeiras articulações deverão se concentrar na escolha da Mesa Diretora, na composição das comissões e na definição da agenda legislativa de 2027. Para os senadores de esquerda ouvidos pelo g1, a capacidade de construir entendimentos com outras legendas será determinante para a tramitação das propostas que pretendem apresentar no próximo mandato.