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Intelbras demite funcionário após publicação que sugeria execução das filhas de Flávio Bolsonaro

Empresa anunciou desligamento de colaborador que fez referência ao fuzilamento da família imperial russa em comentário sobre as duas filhas menores de idade do senador.

Por Brasil no Centro Publicado em 30 de outubro de 2026 às 14:13 4 min de leitura
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Intelbras demite funcionário após publicação que sugeria execução das filhas de Flávio Bolsonaro

A Intelbras, empresa brasileira de tecnologia com sede em Santa Catarina, anunciou nesta quinta-feira (29) a demissão de um funcionário após a repercussão de uma publicação nas redes sociais que sugeria o fuzilamento das duas filhas do senador Flávio Bolsonaro (PL), de 12 e 14 anos. O comentário foi feito na plataforma X e provocou uma série de manifestações de repúdio.

O autor da publicação foi identificado como Caio Anjo Fernandes, que trabalhava na companhia havia aproximadamente três anos. Ao responder a uma postagem sobre as filhas do candidato derrotado à Presidência da República, ele escreveu: “Protocolo Romanov nelas sem mais delongas”.

A expressão faz referência à execução da família imperial russa durante o processo revolucionário que levou os bolcheviques ao poder. Em julho de 1918, o czar Nicolau II, sua esposa Alexandra e os cinco filhos do casal foram assassinados a tiros em uma residência na cidade de Ecaterimburgo, na Rússia.

O comentário de Fernandes foi interpretado por usuários da rede social como uma sugestão de que as duas adolescentes fossem submetidas ao mesmo destino. A publicação ganhou repercussão depois que internautas identificaram o vínculo profissional do autor e passaram a cobrar um posicionamento da Intelbras.

A mensagem havia sido publicada em resposta a um texto que abordava a situação das filhas de Flávio Bolsonaro após a derrota do pai nas eleições presidenciais de 2026. A postagem original manifestava preocupação com os efeitos da exposição política e da saída repentina do Brasil sobre as adolescentes.

Depois da repercussão, a Intelbras informou inicialmente que repudiava manifestações de incitação à violência e que estava apurando o episódio. Posteriormente, confirmou o desligamento do funcionário envolvido.

Em comunicado divulgado em seu perfil oficial no X, a companhia informou que o profissional já não integrava seu quadro de colaboradores e reafirmou o compromisso com as normas de ética e conduta adotadas internamente.

A manifestação da empresa encerrou as cobranças relacionadas ao vínculo empregatício de Fernandes, mas o episódio continuou repercutindo nas redes sociais, especialmente entre usuários que criticaram a utilização de referências a execuções históricas em discussões políticas.

Segundo informações publicadas pela Gazeta do Povo, Fernandes tem 23 anos, é formado em Sistemas de Informação pela Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) e havia ingressado na Intelbras como estagiário, antes de passar a atuar como assistente de desenvolvimento de produto.

A reportagem também identificou outra publicação de conteúdo violento compartilhada anteriormente pelo perfil atribuído ao ex-funcionário, envolvendo uma referência à guilhotina e à família Bolsonaro. A conta utilizada por Fernandes deixou de estar disponível na plataforma.

O caso ocorre poucos dias depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em uma disputa marcada pela polarização entre o petista e Flávio Bolsonaro. Após a divulgação do resultado, o senador deixou o país acompanhado da família e viajou aos Estados Unidos, onde passou a contestar sua derrota.

As duas filhas de Flávio, por serem menores de idade, passaram a ser mencionadas em publicações relacionadas à viagem e à repercussão política da eleição.

A demissão também acontece em um momento de crescente atenção às manifestações de hostilidade política no ambiente digital. Nos últimos dias, episódios envolvendo ameaças, perseguições e discriminação por posicionamento partidário passaram a motivar denúncias e medidas de empresas e órgãos públicos.

Até a publicação das reportagens consultadas, não havia confirmação de investigação criminal específica contra Fernandes em razão do comentário. A Intelbras também não divulgou detalhes adicionais sobre os procedimentos internos que antecederam seu desligamento.

O episódio ganhou repercussão nacional após a publicação da notícia pelo Metrópoles e foi posteriormente noticiado por outros veículos.