Cleitinho escolhe Thiago Toscano para comandar supersecretaria e enfrentar crise fiscal de Minas
Economista deixará a iniciativa privada para assumir área estratégica que reunirá gestão pública, controle de gastos e atração de investimentos no novo governo

O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), definiu nesta quinta-feira (29) um dos principais nomes de sua futura equipe de governo. O economista Thiago Toscano, que presidia a mineradora Itaminas, aceitou o convite para comandar uma nova estrutura administrativa responsável pela política econômica, gestão pública e atração de investimentos no estado a partir de 2027.
A escolha faz parte dos planos de Cleitinho para reorganizar a administração estadual e enfrentar os desafios fiscais de Minas Gerais, que acumula uma dívida pública superior a R$ 200 bilhões e prevê um déficit orçamentário de R$ 10,5 bilhões para o próximo ano. A proposta é reunir, em uma única secretaria, atribuições atualmente distribuídas entre diferentes órgãos do Executivo.
O acerto foi confirmado após uma reunião entre Toscano, Cleitinho e o vice-governador eleito, Luís Eduardo Falcão (Republicanos). A indicação do economista partiu de Falcão, que mantém uma relação profissional com o futuro secretário desde sua passagem por órgãos de desenvolvimento econômico do estado.
Segundo informações publicadas pelo portal O Fator, a nova pasta deverá concentrar funções relacionadas ao planejamento orçamentário, desenvolvimento econômico, gestão administrativa, relações internacionais e captação de investimentos. A intenção é integrar o controle das despesas públicas a uma agenda de expansão da atividade econômica e ampliação das receitas estaduais.
A configuração definitiva da estrutura, entretanto, ainda não foi estabelecida. Entre as possibilidades discutidas pela equipe de transição está a incorporação de atribuições das atuais secretarias de Fazenda, Planejamento e Gestão e Desenvolvimento Econômico.
A proposta representa uma das primeiras iniciativas de reforma administrativa do futuro governo. Para ser implementada, a reorganização das competências e das secretarias precisará ser submetida à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
Em entrevista ao O Fator, Toscano confirmou que recebeu de Cleitinho a missão de coordenar a área econômica, com atenção especial à atração de investimentos e ao desenvolvimento de novos negócios. O economista também destacou a necessidade de conciliar medidas de ajuste fiscal com iniciativas capazes de ampliar a capacidade de crescimento do estado.
A estratégia deverá combinar a revisão de despesas e procedimentos administrativos com ações voltadas ao aumento da arrecadação por meio da atividade econômica, sem depender necessariamente da elevação de impostos.
Antes da confirmação do convite, Cleitinho já havia indicado que a definição dos responsáveis pelas áreas de Fazenda e Planejamento seria uma das prioridades na montagem de seu secretariado. O governador eleito considera que a situação das contas estaduais exige atenção imediata e deverá orientar as primeiras decisões de sua gestão.
Em entrevista concedida na semana passada, o futuro chefe do Executivo mineiro defendeu uma revisão dos contratos administrativos, a eliminação de despesas consideradas desnecessárias e uma reforma da estrutura governamental. Também afirmou que pretende buscar novos investimentos privados para ampliar a atividade econômica e a geração de receitas em Minas Gerais.
A escolha de Toscano reúne experiência na administração pública e na iniciativa privada. Formado em Economia e Ciências Contábeis, com pós-graduação em Finanças e Gestão Pública, o executivo possui trajetória em projetos de infraestrutura, concessões, privatizações e desenvolvimento econômico.
Durante o governo de Romeu Zema (Novo), presidiu a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) e a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), instituições que atuam na gestão de ativos públicos e em projetos estratégicos para a economia estadual.
Toscano também participou de iniciativas de atração de empresas e investimentos para Minas, incluindo negociações relacionadas à instalação e à expansão de grandes empreendimentos privados. Antes de assumir a Itaminas, em 2024, acumulou experiência em projetos envolvendo os setores de energia, mineração, saneamento e mobilidade.
Além da atuação executiva, é professor da Fundação Dom Cabral, onde desenvolve atividades relacionadas a planejamento estratégico, gestão pública e economia.
Com sua saída da Itaminas, a mineradora anunciou Rodrigo Gontijo, sócio e integrante do conselho da empresa, como novo diretor-presidente. A substituição foi comunicada na própria quinta-feira, após a confirmação da transferência de Toscano para o futuro governo estadual.
A montagem da equipe de Cleitinho também envolve outras escolhas para áreas estratégicas. Na quarta-feira (28), o governador eleito anunciou Otto Levy para o comando da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), reforçando a presença de profissionais com experiência administrativa na composição inicial de seu governo.
O futuro governador tem afirmado que pretende priorizar critérios técnicos na seleção dos auxiliares, embora admita indicações partidárias de profissionais considerados qualificados para funções públicas.
A nova estrutura econômica será responsável por conduzir parte importante da agenda administrativa do próximo mandato. Além do enfrentamento do déficit previsto para 2027, a equipe deverá lidar com o endividamento estadual e com a necessidade de preservar recursos para investimentos em infraestrutura e serviços públicos.
A proposta de concentrar gestão fiscal e desenvolvimento econômico em uma mesma área ainda dependerá da definição de competências, da elaboração de uma reforma administrativa e da aprovação dos deputados estaduais.
Com a escolha de Thiago Toscano, Cleitinho começa a delinear a condução econômica de seu governo, que terá entre seus primeiros desafios a reorganização das finanças de Minas Gerais e a ampliação da capacidade de investimento do estado.