Democratas avançam em redutos republicanos e ameaçam maioria de Trump no Senado, aponta pesquisa
Levantamento do New York Times/Siena mostra democratas à frente em sete estados decisivos e registra queda na aprovação de Trump às vésperas das eleições legislativas.

O Partido Democrata chega às eleições legislativas dos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira (3), com vantagem nas pesquisas de intenção de voto em sete estados considerados estratégicos para a disputa pelo controle do Senado. Levantamento do jornal The New York Times, em parceria com a Universidade de Siena, divulgado na reta final da campanha, aponta crescimento dos candidatos democratas inclusive em regiões historicamente dominadas pelo Partido Republicano, do presidente Donald Trump.
Os resultados mostram democratas numericamente à frente no Texas, Kansas, Maine, Ohio, Michigan, Alasca e Iowa. Em alguns desses estados, as diferenças permanecem dentro da margem de erro, mas o conjunto dos dados revela disputas competitivas em territórios onde os republicanos tradicionalmente encontram condições favoráveis.
A pesquisa foi realizada entre 23 de outubro e 1º de novembro, com entrevistas a eleitores considerados propensos a participar da votação. O levantamento apresenta margens de erro que variam de 3,4 a 5 pontos percentuais, dependendo do estado analisado.
As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, renovam toda a Câmara dos Representantes e aproximadamente um terço do Senado americano. O resultado definirá a composição do Congresso responsável por examinar as propostas legislativas, o orçamento federal e as indicações presidenciais durante os dois últimos anos do atual mandato de Trump.
No Senado, os republicanos entram na disputa com a maioria, enquanto os democratas precisam preservar suas cadeiras e conquistar pelo menos quatro posições atualmente ocupadas pelo partido governista para alcançar o controle da Casa.
Um dos resultados que mais chamam a atenção está no Texas, estado que não elege um senador democrata desde 1988. O deputado estadual James Talarico aparece com 50% das intenções de voto, contra 43% do procurador-geral republicano Ken Paxton.
A diferença de sete pontos percentuais representa uma mudança importante em relação ao histórico eleitoral do estado, considerado uma das principais bases do Partido Republicano. A campanha democrata tem concentrado esforços em temas econômicos, especialmente o aumento do custo de vida, enquanto Paxton enfrenta índices elevados de rejeição entre os entrevistados.
No Kansas, outro estado tradicionalmente republicano, o democrata Adam Hamilton registra 49% das intenções de voto, diante de 44% do senador Roger Marshall, que busca permanecer no cargo.
O Kansas não elege um democrata para o Senado desde 1932. A vantagem de cinco pontos registrada no levantamento, portanto, colocou a disputa entre as mais acompanhadas desta eleição, embora a diferença deva ser interpretada considerando a margem de erro.
Em Maine, o democrata Troy Jackson aparece com 51% das intenções de voto, contra 45% da senadora republicana Susan Collins. A parlamentar, conhecida por posições moderadas em algumas questões nacionais, tenta conquistar um novo mandato em um estado onde as disputas eleitorais frequentemente apresentam comportamentos diferentes das tendências partidárias nacionais.
A eleição de Collins também desperta atenção pelo histórico de divergências entre pesquisas e resultados efetivos. Em 2020, a senadora enfrentou levantamentos desfavoráveis durante a campanha, mas conseguiu se reeleger por uma margem expressiva.
Em Ohio, o ex-senador democrata Sherrod Brown registra 49% das intenções de voto, cinco pontos à frente do republicano Jon Husted, que aparece com 44%. O estado ganhou importância nacional por sua proximidade política com o vice-presidente JD Vance e pelo peso do eleitorado branco da classe trabalhadora.
Michigan apresenta a maior diferença entre os sete estados pesquisados. O democrata Abdul El-Sayed tem 53% das intenções de voto, enquanto o republicano Mike Rogers registra 42%, uma vantagem de 11 pontos percentuais.
A disputa é particularmente relevante porque Michigan está entre os estados em que os democratas precisam defender uma cadeira já ocupada pelo partido. A perda dessa posição ampliaria o número de vitórias necessárias em territórios republicanos.
No Alasca, Mary Peltola, do Partido Democrata, aparece com 48% das intenções de voto, contra 46% do senador republicano Dan Sullivan. A diferença de dois pontos está dentro da margem de erro de cinco pontos percentuais, indicando que o levantamento não estabelece uma liderança estatisticamente conclusiva.
O mesmo ocorre em Iowa, onde o democrata Josh Turek registra 48% das intenções de voto e a republicana Ashley Hinson aparece com 47%. Com apenas um ponto de diferença, a pesquisa mostra um cenário de empate técnico.
Os resultados divulgados pelo New York Times/Siena também identificam dificuldades para Donald Trump em estados onde o presidente obteve votações expressivas nas eleições presidenciais de 2024.
Considerando os sete estados pesquisados, apenas 38% dos prováveis eleitores aprovam o desempenho do presidente americano. O índice representa um sinal de desgaste da administração republicana em regiões que terão participação importante na definição da composição do Senado.
A economia aparece como um dos fatores centrais dessa insatisfação. O aumento do custo de vida, especialmente as despesas com alimentação, moradia e serviços, tornou-se uma preocupação relevante para os eleitores entrevistados.
Quando questionados sobre qual partido consideram mais preparado para lidar com o custo de vida, os participantes demonstraram preferência pelos democratas, que registraram vantagem média de nove pontos percentuais sobre os republicanos.
O desempenho nessa área ocorre apesar de a agenda econômica ser uma das principais bandeiras da administração Trump, que tem defendido suas políticas tarifárias e comerciais como instrumentos de proteção da produção nacional e dos empregos americanos.
O levantamento também identificou maior apoio aos democratas entre eleitores independentes nos sete estados analisados. Esse segmento, formado por pessoas que não se identificam diretamente com os dois principais partidos, costuma desempenhar papel relevante em disputas equilibradas.
Entre jovens e eleitores latinos, as pesquisas registraram dificuldades adicionais para os republicanos. Os dados indicam menor adesão aos candidatos do partido governista em grupos que participaram de maneira importante da eleição presidencial de 2024.
O desgaste também aparece entre setores tradicionais do eleitorado conservador. Em Ohio, por exemplo, a proporção de republicanos que afirmam aprovar fortemente o desempenho de Trump caiu de 63% em junho para 51% na pesquisa mais recente.
A redução do entusiasmo entre apoiadores do próprio partido representa uma preocupação para campanhas republicanas, que dependem da participação de seus eleitores para preservar cadeiras em estados competitivos.
Apesar dos números favoráveis aos democratas, o levantamento identifica fatores que podem modificar o resultado das disputas. Entre os eleitores que decidiram seu voto mais recentemente ou permaneciam indecisos, os republicanos apresentavam uma vantagem de nove pontos percentuais.
A tendência registrada nesse grupo indica que as escolhas realizadas nos últimos dias de campanha podem influenciar especialmente as eleições com diferenças pequenas, como as do Alasca e de Iowa.
Os pesquisadores também ressaltam que diversas vantagens identificadas estão dentro das margens de erro. Por isso, os dados não permitem afirmar antecipadamente qual partido conquistará a maioria do Senado.
O diretor executivo do Instituto de Pesquisas Siena, Don Levy, afirmou que os levantamentos mostram vantagens democratas entre cinco e 11 pontos em Kansas, Ohio, Maine, Texas e Michigan, enquanto Alasca e Iowa apresentam disputas mais equilibradas.
Segundo Levy, os resultados indicam que uma mudança no controle do Senado é uma possibilidade, mas as margens de erro ainda são compatíveis com diferentes composições partidárias após a votação.
A eleição também será acompanhada pelo governo brasileiro, que se prepara para iniciar o quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em janeiro de 2027. As relações entre Brasília e Washington foram marcadas por divergências comerciais e diplomáticas durante os últimos anos, especialmente em temas relacionados a tarifas, política externa e posicionamentos sobre a eleição presidencial brasileira.
Uma eventual mudança na composição do Congresso americano poderá alterar as condições de negociação interna do governo Trump, embora a condução da política externa continue sob responsabilidade da Casa Branca e das instituições competentes.
Além do Senado, os americanos escolherão os 435 integrantes da Câmara dos Representantes, governadores estaduais e representantes para diversas funções locais.
Os resultados das pesquisas divulgadas na véspera da eleição mostram um ambiente de maior competitividade em estados republicanos e uma disputa nacional influenciada pela avaliação do governo Trump e pelas preocupações econômicas dos eleitores.
A definição sobre o controle do Congresso dependerá da apuração dos votos desta terça-feira, quando será possível verificar se o desempenho registrado pelos democratas nas pesquisas se confirmará nas urnas.