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Política

Lula convida Motta e Alcolumbre para viagens internacionais em meio à disputa pelo comando do Congresso

Presidente busca estreitar relações com os chefes da Câmara e do Senado antes das eleições internas de 2027, enquanto o PT articula apoio à reeleição de ambos.

Por Brasil no Centro Publicado em 4 de novembro de 2026 às 13:30 7 min de leitura
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Lula convida Motta e Alcolumbre para viagens internacionais em meio à disputa pelo comando do Congresso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convidou os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para acompanhá-lo em viagens oficiais à Turquia e às Filipinas na próxima semana. O convite ocorre em meio às articulações para a formação da base parlamentar do quarto governo petista e às negociações para a escolha dos futuros comandantes do Congresso Nacional.

A iniciativa foi revelada pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, e confirmada pelo Estadão. Segundo as reportagens, Lula apresentou o convite durante uma reunião realizada no Palácio da Alvorada em 26 de outubro, um dia após sua vitória no segundo turno das eleições presidenciais. Até o momento, Motta e Alcolumbre ainda avaliam se participarão das agendas internacionais.

A aproximação ocorre em um momento de reorganização das forças políticas em Brasília. Reeleito para um quarto mandato, Lula pretende ampliar sua interlocução com partidos que não apoiaram sua candidatura presidencial, mas terão participação importante nas decisões do Legislativo a partir de fevereiro de 2027.

O presidente já manifestou apoio à recondução de Hugo Motta e Davi Alcolumbre aos comandos das respectivas Casas. O PT também confirmou que acompanhará os dois parlamentares nas eleições internas previstas para 1º de fevereiro.

A definição das presidências da Câmara e do Senado ganhou importância após o resultado das eleições legislativas de outubro, que ampliaram a representação dos partidos de direita e aumentaram a necessidade de negociações entre o Palácio do Planalto e diferentes bancadas.

Na Câmara dos Deputados, Motta mantém interlocução com dirigentes de partidos do Centrão e recebeu manifestações de apoio à continuidade de seu mandato antes mesmo da conclusão da disputa presidencial.

A articulação reúne representantes de legendas que integram ou negociam participação na base do governo, além de grupos que mantiveram posicionamentos diferentes durante a campanha eleitoral.

A presidência da Câmara desempenha papel relevante na definição da pauta de votações, na organização dos trabalhos legislativos e no encaminhamento de propostas de interesse do Executivo. Por isso, a relação entre o Palácio do Planalto e Hugo Motta passou a integrar as conversas sobre a composição política da próxima administração federal.

No Senado, o cenário apresenta uma disputa mais fragmentada.

Davi Alcolumbre trabalha pela reeleição, mas enfrenta a articulação do Partido Liberal (PL), que pretende apresentar uma candidatura própria ao comando da Casa. A legenda ampliou sua bancada nas eleições e busca maior influência sobre a agenda legislativa da próxima legislatura.

Entre os nomes envolvidos nas negociações está Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição e ex-coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). O senador procura reunir parlamentares que defendem uma alternativa à continuidade de Alcolumbre.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também manifestou interesse em disputar o cargo. Embora mantenha conversas com Marinho sobre a possibilidade de uma candidatura única da oposição, ainda não existe um acordo formal para a escolha do representante do grupo.

A disputa ocorre enquanto Alcolumbre procura ampliar sua base de apoio para além dos partidos tradicionalmente alinhados ao governo Lula.

Segundo reportagens publicadas nos últimos dias, o atual presidente do Senado mantém conversas com integrantes do PL e de outras legendas para garantir votos na eleição de fevereiro.

O apoio do Palácio do Planalto faz parte dessa articulação, mas não assegura a recondução do senador. A escolha será realizada pelos próprios parlamentares, em votação secreta, e exige maioria absoluta, correspondente a 41 dos 81 integrantes da Casa.

A proximidade política entre Lula, Motta e Alcolumbre também tem relação com o calendário legislativo dos próximos meses.

O governo pretende avançar em propostas consideradas prioritárias antes da posse dos novos deputados e senadores. Entre os assuntos discutidos com as lideranças do Congresso estão medidas de segurança pública, regulamentação de novas tecnologias e indicações para cargos de instituições federais.

A formação de uma maioria parlamentar para o próximo mandato também passa pelas negociações sobre a distribuição dos ministérios.

Partidos como MDB, PSD, Republicanos, PP e União Brasil participaram de diferentes maneiras do terceiro governo Lula e mantêm conversas sobre sua posição em relação à próxima administração.

Integrantes dessas legendas defendem maior participação nas decisões políticas e na composição da Esplanada, especialmente em ministérios ligados à articulação com o Congresso e à execução de investimentos federais.

O governo, por sua vez, busca compromissos de apoio nas votações para evitar as dificuldades enfrentadas durante o mandato anterior, quando partidos com representantes no Executivo nem sempre acompanharam a orientação do Palácio do Planalto.

Nesse ambiente, o convite para acompanhar as viagens internacionais abre uma nova oportunidade de interlocução entre os chefes dos Poderes Executivo e Legislativo.

A primeira etapa da agenda presidencial será na Turquia, onde Lula participará da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31).

O evento será realizado em Antália entre 9 e 20 de novembro, reunindo representantes de governos, organismos internacionais e entidades envolvidas nas negociações climáticas.

A participação de chefes de Estado e de governo está concentrada especialmente nos dias 11 e 12, quando ocorrerá a cúpula de líderes mundiais. A agenda inclui discussões sobre financiamento climático, transição energética, redução de emissões e implementação de compromissos internacionais.

A presença de Lula acontece em meio às discussões sobre os compromissos ambientais assumidos pelo Brasil e o papel do país nas negociações internacionais relacionadas à mudança do clima.

Depois da passagem pela Turquia, o presidente seguirá para as Filipinas, onde tem participação prevista na cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), em Manila, nos dias 14 e 15 de novembro.

O encontro reunirá representantes dos países integrantes do bloco e parceiros internacionais para discutir cooperação econômica, comércio, investimentos e questões diplomáticas.

A programação oficial da Asean prevê a realização de sua 49ª cúpula e reuniões relacionadas entre 13 e 15 de novembro, na região metropolitana de Manila.

A viagem permitirá ao governo brasileiro participar de discussões com economias importantes do Sudeste Asiático, região com a qual o Brasil mantém relações comerciais e diplomáticas.

Ainda não há confirmação de que os presidentes da Câmara e do Senado integrarão a comitiva. A eventual participação dependerá das decisões de Motta e Alcolumbre e da organização das agendas oficiais.

O convite também não representa, por si só, um acordo sobre a distribuição de cargos no próximo governo ou sobre as eleições internas do Congresso.

A aproximação entre Lula e os dois parlamentares, entretanto, já é acompanhada por dirigentes partidários que participam das negociações para 2027.

Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, o presidente pretende construir uma relação mais ampla com as lideranças do Legislativo, associando a participação de partidos na administração federal a compromissos de apoio às propostas governistas.

Os próximos meses serão marcados pelas discussões sobre a composição ministerial, pela definição das candidaturas às presidências da Câmara e do Senado e pela organização das bancadas que iniciarão seus mandatos em fevereiro.

Nesse contexto, o convite de Lula para as viagens internacionais se soma aos encontros realizados após a eleição presidencial e às conversas para estabelecer a relação entre o próximo governo e o Congresso.

Enquanto Hugo Motta e Davi Alcolumbre analisam a possibilidade de acompanhar o presidente na Turquia e nas Filipinas, os partidos continuam negociando os apoios que definirão o comando do Legislativo no biênio 2027-2028.