Alcolumbre ironiza ataques às urnas após derrota de Flávio e critica políticos eleitos sem propostas
Presidente do Senado questiona contestação do resultado presidencial por setores do PL, critica campanhas marcadas por ataques pessoais e cobra debates sobre saúde, educação e desenvolvimento.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), criticou na quarta-feira (4) parlamentares que questionaram a confiabilidade das urnas eletrônicas após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na eleição presidencial. Em discurso no plenário, o senador também lamentou que candidatos tenham conquistado mandatos, segundo sua avaliação, utilizando ataques pessoais e acusações contra adversários, sem apresentar propostas para os principais problemas do país.
A manifestação ocorreu em meio ao agravamento das divergências entre Alcolumbre e integrantes da oposição no Congresso Nacional. O presidente do Senado questionou a postura de políticos que comemoraram os resultados das eleições legislativas de outubro, mas passaram a levantar suspeitas sobre o sistema eletrônico de votação depois da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno presidencial.
Durante o pronunciamento, Alcolumbre lembrou que as mesmas urnas utilizadas para escolher o presidente da República também elegeram deputados e senadores vinculados ao campo bolsonarista.
O senador destacou o crescimento da bancada do PL na Câmara dos Deputados e no Senado, resultado celebrado pelos dirigentes da legenda após o primeiro turno, realizado em 4 de outubro.
Na avaliação de Alcolumbre, não há coerência em reconhecer a legitimidade do sistema eleitoral quando o resultado é favorável e contestá-lo apenas quando ocorre uma derrota.
Ao ironizar essa diferença de tratamento, o presidente do Senado afirmou que as urnas foram consideradas confiáveis no primeiro turno, quando candidatos da oposição conseguiram resultados expressivos, mas passaram a ser questionadas depois da reeleição de Lula, em 25 de outubro.
Alcolumbre também cobrou explicações daqueles que levantaram suspeitas de irregularidades na votação presidencial sem apresentar questionamentos equivalentes sobre a eleição dos integrantes do Congresso.
A manifestação ocorreu depois que Flávio Bolsonaro e aliados questionaram publicamente o resultado do segundo turno. As alegações de fraude eleitoral não foram acompanhadas de comprovação nas informações divulgadas até o momento.
O presidente do Senado ampliou as críticas para a maneira como parte das campanhas eleitorais foi conduzida em 2026. Segundo ele, a disputa política passou a privilegiar confrontos pessoais e acusações contra instituições, deixando em segundo plano discussões sobre políticas públicas.
Alcolumbre afirmou que candidatos conquistaram apoio eleitoral a partir de ofensas dirigidas a adversários e autoridades, sem apresentar compromissos concretos com áreas como educação, saúde e infraestrutura.
O senador mencionou a construção de estradas e portos, o desenvolvimento econômico, o licenciamento ambiental e a ampliação das oportunidades de formação profissional como assuntos que deveriam receber maior atenção dos representantes eleitos.
Também cobrou discussões sobre universidades, institutos federais e políticas destinadas à juventude.
Na avaliação apresentada durante o discurso, a atuação parlamentar precisa priorizar propostas que possam ser discutidas e transformadas em decisões legislativas, mesmo diante de divergências entre partidos e grupos políticos.
O pronunciamento também fez referência às críticas recebidas por Alcolumbre em razão de sua decisão de não dar andamento a pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
O tema tornou-se uma das principais reivindicações de integrantes da oposição, especialmente de parlamentares que defendem a abertura de processos contra o ministro Alexandre de Moraes.
Alcolumbre afirmou que sua postura diante desses pedidos foi utilizada durante a campanha eleitoral para promover ataques à presidência do Senado.
Segundo o parlamentar, parte dos candidatos explorou a insatisfação de eleitores com o STF para direcionar críticas pessoais contra ele, em vez de concentrar a discussão em propostas legislativas.
A declaração ocorreu em um contexto de novas tensões entre a presidência da Casa e a bancada do PL.
Antes do pronunciamento, o líder do partido no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ), havia criticado a condução das discussões sobre a redução da maioridade penal, tema retirado da Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública para tramitação separada.
Portinho questionou o cumprimento de entendimentos políticos relacionados à votação. Alcolumbre respondeu às críticas e voltou a reclamar do tratamento recebido por integrantes da oposição.
O presidente do Senado também mencionou o episódio envolvendo uma manifestação organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), em Macapá, capital do Amapá.
Em 13 de setembro, Nikolas participou de um ato político no estado de Alcolumbre e cobrou que o senador desse andamento aos pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes.
Durante o discurso de quarta-feira, Alcolumbre não citou nominalmente o deputado mineiro ao abordar o episódio, mas criticou lideranças políticas que se deslocam para outros estados com o objetivo de atacar adversários.
O senador afirmou que esse tipo de confronto passou a ocupar espaço excessivo no ambiente político e defendeu a preservação do respeito entre representantes com posições divergentes.
A crítica também alcançou as redes sociais, que, segundo Alcolumbre, têm sido utilizadas para difundir ofensas, acusações e informações falsas.
O presidente do Senado afirmou que as plataformas digitais poderiam contribuir para divulgar o trabalho parlamentar e aproximar os representantes dos cidadãos, mas lamentou que parte de sua utilização política esteja associada a conflitos pessoais.
Apesar das críticas, Alcolumbre declarou que considera legítimas as divergências políticas e o direito de questionar decisões de autoridades públicas.
Ele defendeu, contudo, que essas disputas sejam conduzidas com respeito ao contraditório e às diferentes opiniões, sem substituir a apresentação de propostas por ataques pessoais.
As declarações ocorrem quando o senador se prepara para disputar a reeleição à presidência da Casa, marcada para fevereiro de 2027.
O PL, que ampliou sua representação no Congresso nas eleições de outubro, lançou Rogério Marinho (PL-RN) como alternativa à continuidade de Alcolumbre no comando do Senado.
A disputa envolve, entre outros assuntos, a condução da agenda legislativa, os pedidos de impeachment contra ministros do STF e a relação entre o Congresso e o próximo governo Lula.
Alcolumbre conta com apoio de integrantes de diferentes partidos e mantém diálogo com o Palácio do Planalto. A oposição, por sua vez, articula uma candidatura própria e procura reunir parlamentares insatisfeitos com a atual condução da Casa.
No encerramento de sua manifestação, o presidente do Senado voltou a defender que os debates parlamentares sejam orientados por temas relacionados ao desenvolvimento do país e às necessidades das próximas gerações.
O pronunciamento reuniu críticas à contestação do sistema eletrônico de votação, ao uso de ataques pessoais nas campanhas eleitorais e à ausência de propostas que, segundo Alcolumbre, marcou a atuação de parte dos candidatos eleitos em outubro.