
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu publicamente a possibilidade de uma derrota republicana nas eleições legislativas de 2026. A admissão foi feita em entrevista ao Wall Street Journal, na qual o republicano afirmou que, apesar do que considera avanços econômicos expressivos, os resultados ainda não foram plenamente percebidos pelo eleitorado.
Trump voltou a afirmar que construiu “a maior economia da história” e destacou o volume de investimentos que, segundo ele, está chegando ao país, especialmente nos setores de indústria automotiva, inteligência artificial e infraestrutura. Ainda assim, reconheceu a dificuldade de traduzir esses números em apoio político. Segundo o presidente, seu papel é executar o trabalho, sem garantia de como isso será avaliado nas urnas.
Desde que reassumiu a Casa Branca, em janeiro, Trump insiste no discurso de recuperação econômica e segue atribuindo a inflação persistente ao governo anterior, comandado por Joe Biden. A última taxa oficial divulgada apontou alta anual de 2,8%, enquanto dados mais recentes foram adiados por conta do impasse orçamentário no Congresso, que levou a um shutdown administrativo.
Apesar dos indicadores macroeconômicos, a percepção de melhora não é uniforme. Dados oficiais mostram que os ganhos têm se concentrado nos estratos mais ricos da população, beneficiados pela valorização do mercado financeiro e imobiliário, além da redução de impostos promovida pelo atual governo. Os 20% mais ricos respondem por cerca de 40% do consumo nos Estados Unidos, com gastos elevados em setores como turismo e serviços de luxo.
Em contraste, famílias de baixa e média renda enfrentam perda de poder de compra, pressionadas pela política tarifária e pela alta de preços. Relatórios do Federal Reserve indicam que esse público tem buscado cada vez mais descontos e promoções, diante de um cenário de maior incerteza econômica. Soma-se a isso a redução de benefícios sociais e os cortes em programas de assistência alimentar.
Outro fator de apreensão é a possível expiração de dispositivos do Obamacare no fim do ano, o que pode afetar mais de 20 milhões de americanos que dependem de subsídios para manter o seguro de saúde. O tema ainda não tem definição clara no Congresso.
Embora Trump declare que a economia americana esteja em nível “excelente”, pesquisas recentes mostram um descompasso entre o discurso oficial e a opinião pública. Apenas cerca de um terço dos americanos afirma estar satisfeito com a política econômica do governo.
No campo político, os sinais de alerta também se multiplicam. Nas últimas semanas, o Partido Republicano sofreu derrotas relevantes em disputas estaduais e municipais, com vitórias democratas em governos estaduais e grandes cidades. O cenário reforça a avaliação de que as eleições de meio de mandato de 2026 podem representar um teste decisivo para Trump e para o futuro do controle republicano no Congresso.