
A pré-candidatura de Ciro Gomes ao governo do Ceará vem produzindo efeitos concretos no xadrez político estadual. Um deles é o fortalecimento acelerado do PSDB, que pode sair da condição de legenda residual para formar uma bancada robusta na Assembleia Legislativa do Ceará já na próxima janela partidária.
Parlamentares que hoje orbitam o campo político de Ciro, sobretudo no União Brasil e no PDT, avaliam migrar em bloco para o PSDB. O movimento ocorre diante da indefinição das siglas atuais sobre o cenário de 2026 e da percepção de que o tucanato voltou a oferecer identidade política, estrutura e protagonismo no estado.
A articulação ganhou força após declarações públicas do deputado Felipe Mota, que confirmou a tendência de migração e revelou conversas avançadas entre parlamentares alinhados a Ciro. Hoje, o PSDB conta com apenas um nome na Alece. Com a eventual filiação dos aliados do ex-ministro, esse número pode saltar para até oito deputados estaduais.
Entre os pedetistas que já se posicionam de forma clara ao lado de Ciro estão Antônio Henrique, Cláudio Pinho, Lucinildo Filho e Queiroz Filho. No União Brasil, além de Felipe Mota, também integram o grupo Heitor Férrer e Sargento Reginauro.
Nos bastidores, a leitura é de que a volta de Ciro ao centro do debate estadual reorganiza o campo oposicionista e cria um polo competitivo fora da polarização entre o governo petista e seus aliados. Para muitos deputados, a migração ao PSDB não é apenas uma troca de legenda, mas uma aposta em coerência política, visibilidade e viabilidade eleitoral.
Se confirmada, a movimentação colocará o PSDB novamente como ator relevante no Ceará, com musculatura legislativa, tempo de TV e capacidade real de articulação para 2026. Um cenário impensável até pouco tempo atrás, mas que agora passa a ser tratado como possibilidade concreta.