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Lulinha abre empresa na Espanha em meio ao avanço da investigação sobre fraudes bilionárias no INSS

Por Brasil no Centro Publicado em 18 de março de 2026 às 12:07 3 min de leitura
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Lulinha abre empresa na Espanha em meio ao avanço da investigação sobre fraudes bilionárias no INSS

Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, abriu uma empresa na Espanha em meio ao avanço das investigações sobre as fraudes bilionárias no INSS. Filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ele teve o nome citado no inquérito da Polícia Federal e também apareceu em depoimentos colhidos no curso da apuração que mira operadores e possíveis beneficiários do esquema.

A empresa se chama Synapta e, de acordo com os registros mercantis de Madri, iniciou operação em 13 de janeiro de 2026 e foi inscrita oficialmente em 6 de fevereiro. Trata-se de uma sociedade limitada voltada à área de tecnologia, com foco amplo em serviços como consultoria técnica, informática, planejamento e desenho de sistemas que integrem equipamentos, programas e tecnologias de comunicação. O capital social informado é de 3 mil euros, o valor mínimo exigido pela legislação espanhola.

A abertura da empresa no exterior ocorre em um momento de pressão crescente sobre o entorno do Planalto no caso do INSS. Em documentos enviados ao Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal apontou suspeitas de que Lulinha possa ter sido beneficiário de repasses vinculados ao grupo investigado. A linha de apuração considera a hipótese de que ele atuasse como sócio oculto em negócios relacionados ao esquema, tese contestada por sua defesa.

Segundo a investigação, pagamentos mensais de R$ 300 mil teriam sido destinados a Lulinha por meio de uma pessoa próxima. De acordo com a apuração preliminar, os valores seriam uma contrapartida para facilitar acessos e interlocuções em Brasília para Antônio Camilo Antunes, o chamado careca do INSS. A defesa nega qualquer irregularidade e sustenta que não houve favorecimento, repasse indevido ou participação do empresário em práticas ilícitas.

A PF também levou em consideração outros elementos no inquérito. Entre eles, a apreensão de um envelope com referência ao nome de Lulinha durante uma das fases da operação e os depoimentos de um ex-funcionário ligado ao grupo investigado, que relatou menções frequentes a pagamentos supostamente destinados ao filho do presidente.

A mudança de Lulinha para a Europa também entrou no radar dos investigadores. Informações reunidas no inquérito indicam que esse deslocamento foi considerado pela Polícia Federal ao pedir ao STF a quebra de sigilos fiscais e telemáticos, diante do receio de que a permanência fora do país pudesse dificultar o acompanhamento da movimentação investigada.

A defesa de Lulinha afirma que não há ilegalidade na abertura da empresa na Espanha e diz que a Synapta ainda não está em funcionamento. Os advogados também declararam que o empresário está à disposição para prestar esclarecimentos às autoridades, caso seja formalmente chamado.

O caso amplia o desgaste político do governo Lula em um momento em que a CPMI do INSS avança sobre personagens próximos ao poder e aumenta a pressão por respostas mais claras do Palácio do Planalto. A formalização de uma empresa no exterior por parte do filho do presidente, enquanto o nome dele aparece no centro de suspeitas levantadas pela Polícia Federal, acrescenta um novo foco de tensão a um dos escândalos mais sensíveis do atual mandato.