Investigação do Banco Central aponta suspeita de propina milionária em contratos ligados ao caso Master

Uma investigação interna do Banco Central trouxe novos elementos ao caso envolvendo o Banco Master e possíveis irregularidades na relação com agentes públicos. De acordo com relatório produzido pela própria autarquia, o ex-chefe do departamento de Supervisão Bancária, Belline Santana, é suspeito de ter recebido cerca de R$ 4 milhões por meio de contratos considerados inconsistentes pela comissão responsável pela apuração.
O documento aponta que os valores teriam sido pagos por meio de acordos firmados com uma empresa ligada a operadores do banco, em um formato que, segundo os investigadores, não condiz com a complexidade dos serviços prestados. Um dos contratos previa a elaboração de um estudo sobre educação financeira, cujo conteúdo foi avaliado como limitado e sem contribuição técnica relevante.
A sindicância destaca que o material entregue não justificaria o valor pago, classificando como improvável que um relatório com essas características pudesse atingir cifras milionárias. A análise também indica que o trabalho poderia ter sido produzido com baixo custo e sem necessidade de especialização avançada, o que reforçou a suspeita de que o contrato teria sido utilizado para dar aparência de legalidade a repasses indevidos.
Outro ponto levantado pela investigação é a possível incompatibilidade entre a atuação do servidor e as atividades contratadas, além da existência de indícios de conflito de interesses. À época dos fatos, o ex-gestor ocupava posição estratégica dentro do Banco Central, com acesso a informações sensíveis e capacidade de influência sobre instituições financeiras, incluindo o próprio grupo investigado.
A comissão também identificou fragilidades na estrutura da empresa contratante, como capital social reduzido e funcionamento em endereço compartilhado, fatores considerados incompatíveis com a magnitude dos valores envolvidos. Para os investigadores, esses elementos reforçam a hipótese de que os contratos tenham sido simulados com o objetivo de justificar pagamentos ilícitos.
Com base nas conclusões, foi recomendada a abertura de processo administrativo disciplinar na Controladoria-Geral da União. A apuração ocorre em paralelo a investigações conduzidas pela Polícia Federal, que também analisam a atuação de outros agentes públicos e possíveis conexões com o Banco Master.
Em nota, a defesa do ex-servidor afirmou que ele sempre atuou dentro dos limites legais e que não houve favorecimento a qualquer instituição financeira. Já representantes do empresário citado no caso informaram que colaboram com as autoridades e que os fatos estão sob análise do Judiciário.
O episódio amplia a pressão sobre mecanismos de controle e transparência no sistema financeiro, especialmente diante de novos desdobramentos que envolvem relações entre agentes públicos e interesses privados em operações de alto valor.