
O novo núcleo da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) discute a antecipação do lançamento do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, de setembro para julho, visando minimizar os impactos da crise envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. O longa, em fase final de pós-produção, tornou-se ponto central de debate interno na pré-campanha, com aliados do senador avaliando que estrear mais cedo ajudaria a afastar riscos políticos e comerciais, sobretudo no período mais intenso da corrida eleitoral.
Integrantes da equipe de comunicação defendem que, ao antecipar a estreia, seria possível reduzir o potencial de judicialização e contaminação do projeto pelo noticiário negativo sobre o caso Master, evitando que o filme fosse associado à polêmica financeira. A reformulação da equipe, com saída do publicitário Marcello Lopes e entrada de Eduardo Fischer, reflete a preocupação da campanha em reposicionar a narrativa e conter possíveis danos à imagem do pré-candidato.
Segundo interlocutores, a decisão de antecipar o filme não tem apenas cunho eleitoral, mas também visa controlar o timing das discussões sobre financiamento e gastos vinculados à produção, que incluem diálogos envolvendo Vorcaro e a gestão do fundo Havengate Development Fund LP, nos Estados Unidos. A Polícia Federal acompanha a utilização de recursos, apurando se foram direcionados exclusivamente à produção cinematográfica ou também a despesas pessoais.
A campanha de Flávio avalia ainda que o lançamento próximo à eleição poderia reforçar narrativas contrárias, sem gerar ganhos significativos de eleitorado, enquanto uma estreia antecipada permitiria maior controle sobre o contexto político. A medida insere o longa em um planejamento estratégico que busca equilibrar comunicação e proteção da imagem do pré-candidato em meio a um cenário de alta sensibilidade eleitoral.