Big Techs vão ao STF contra decretos de Lula que regulam redes sociais

Empresas de tecnologia pedem revisão judicial de normas que ampliam responsabilidades das plataformas por conteúdo de terceiros

Big Techs vão ao STF contra decretos de Lula que regulam redes sociais

A Câmara Brasileira de Economia Digital (camara-e.net), que reúne empresas como Meta, Google, OpenAI, Kwai e TikTok, protocolou nesta segunda-feira (25) uma carta aberta ao Supremo Tribunal Federal (STF) contestando os decretos assinados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último dia 20, voltados à regulamentação do Marco Civil da Internet. O documento foi elaborado em conjunto com a Associação Latino-Americana de Internet (ALAI) e o Conselho Digital do Brasil.

Os decretos buscam detalhar a decisão do STF de 2025, que ampliou a responsabilidade das plataformas sobre conteúdos gerados por terceiros. Entre as medidas, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) passa a ter poderes para fiscalizar o cumprimento das obrigações, podendo aplicar sanções que incluem multa de até 10% do faturamento, suspensão de atividades ou proibição de operação. Outra norma específica visa coibir a violência digital contra mulheres, com entrada em vigor prevista para 60 dias.

No documento, as entidades argumentam que os decretos “transformam em obrigações concretas trechos de decisão judicial ainda sujeita a recursos”, gerando insegurança jurídica e afetando a previsibilidade regulatória no ambiente digital. O relator de uma das ações do STF que fundamentou os decretos, ministro Dias Toffoli, inicialmente marcou para 29 de maio a análise dos recursos em plenário virtual, mas retirou o caso da pauta, que agora depende do presidente da corte, Edson Fachin, para ser incluído em sessão física.

As associações solicitam que o exame judicial possibilite aprimorar a decisão, detalhando melhor fundamentos, extensão e efeitos práticos. Entre os riscos apontados estão a retirada excessiva de conteúdo, aumento de custos para compliance, vulnerabilidade de pequenos provedores e imposição uniforme de regras a empresas de perfis e tamanhos distintos.

O governo, por sua vez, defende que os decretos buscam operacionalizar a decisão do Supremo, garantindo fiscalização efetiva das obrigações das plataformas, preenchendo lacunas sobre prazos, legitimidade de notificações e critérios diferenciados conforme porte das empresas. Especialistas consultados alertam, entretanto, que a ANPD enfrentará desafios significativos para cumprir todas as funções acumuladas.