Candidatos a deputado do PL temem não receber verba, mesmo com fundo de R$ 880 milhões

Pré-candidatos da sigla receiam concentração de verba nas campanhas majoritárias e disputas proporcionais intensificam tensão interna

Candidatos a deputado do PL temem não receber verba, mesmo com fundo de R$ 880 milhões

A distribuição do fundo eleitoral tem gerado apreensão entre candidatos a deputado do PL. Apesar do partido contar com R$ 881,6 milhões para as campanhas deste ano, membros da legenda demonstram preocupação com a concentração de recursos, sobretudo devido à prioridade das candidaturas de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência e de senadores que disputarão o Congresso.

A liderança da sigla monitora de perto a federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, que concentra R$ 943,3 milhões do fundo e destina boa parte ao fortalecimento da bancada na Câmara, projetando investimento de cerca de R$ 400 milhões exclusivamente para candidaturas proporcionais.

No PL, a estratégia nacional privilegia candidatos a governos estaduais e ao Senado, reservando uma estimativa de R$ 360 milhões para campanhas majoritárias, o que reduz a disponibilidade de recursos para deputados federais e estaduais a cerca de R$ 521 milhões. Deste montante, aproximadamente R$ 265 milhões deverão contemplar candidatos prioritários escolhidos pela direção nacional, incluindo a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.

A direção do PL determinou que 70% do fundo seja destinado aos diretórios estaduais, distribuídos proporcionalmente pelo número de deputados e senadores eleitos em 2022 e pela votação nominal para federal, enquanto os 30% restantes ficam sob controle da cúpula nacional. A medida visa equilibrar a necessidade de viabilizar candidaturas locais e manter presença estratégica da sigla nos estados.

A eleição proporcional é vista como crucial pelo PL e pelo centrão, pois define o tamanho da bancada e influencia diretamente a divisão futura do fundo partidário. Integrantes da federação União-PP enxergam na instabilidade da candidatura de Flávio Bolsonaro e na disputa pelo voto ideológico uma oportunidade para ampliar sua bancada em detrimento do PL.

O cenário acirrado no partido evidencia a tensão entre maximizar recursos para campanhas de grande visibilidade e garantir investimento adequado aos candidatos proporcionais, estratégia que pode definir a força do PL na Câmara em 2026.