
O Produto Interno Bruto (PIB) per capita do Brasil registrou queda de 9,58% entre 2010 e 2024, enquanto a média global avançou 56,79% no mesmo período, de acordo com levantamento realizado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial, compilado pela equipe de Dados de O TEMPO. O resultado evidencia que o país permanece abaixo da média mundial, com impacto direto na renda e qualidade de vida da população.
Em valores nominais, o PIB per capita brasileiro em 2024 atingiu US$ 10.616,00, subindo para US$ 22.333,00 quando ajustado pela Paridade do Poder de Compra (PPC), que considera o custo de vida e poder aquisitivo real. No comparativo global, o PIB per capita médio alcançou US$ 19.439,00 em valores nominais, 83% acima do brasileiro, e US$ 27.942,00 na versão ajustada pela PPC, 25% superior ao Brasil.
O economista-chefe da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), João Pio, aponta que a economia brasileira cresce de forma insuficiente em relação a países de renda média e média alta. “O Brasil tem registrado taxas muito inferiores, refletindo diretamente na renda per capita. Apenas em 2024 o país alcançou níveis semelhantes aos de 2013, mas permanece 2,4 pontos percentuais abaixo, mostrando que em 12 anos não houve avanço real”, explicou.
Segundo Pio, o baixo crescimento se deve à dependência de gastos públicos, baixa produtividade e investimentos insuficientes em setores estratégicos da indústria e serviços. O agro, embora em expansão, não compensa a estagnação dos demais setores. “Sem ganhos reais de produtividade, a economia continua limitada, a renda estagna e ciclos de crise com juros elevados voltam a se repetir”, alertou.
O professor de Economia do Ibmec Brasília, Renan Silva, acrescenta que a tributação excessiva e inadequada agrava o cenário, prejudicando o crescimento sustentável do PIB e a capacidade das famílias de acumular renda. “A escalada de impostos desde 2004, combinada com inflação e juros altos, restringe o avanço econômico e reduz o bem-estar da população”, afirmou.