
Márcio França (PSB) voltou a discutir a possibilidade de disputar o governo de São Paulo em 2026. O movimento ganhou força nos bastidores depois das desistências de Kim Kataguiri (Missão) e Paulo Serra (PSDB), que abriram espaço para uma reorganização do tabuleiro eleitoral no maior colégio eleitoral do país.
Segundo informações da coluna Painel, da Folha de S.Paulo, emissários de França conversaram com lideranças petistas na última semana. O argumento levado às conversas é que a presença do ex-governador na disputa poderia aumentar as chances de a eleição paulista ser decidida em segundo turno.
A avaliação feita por aliados é que, sem outros nomes competitivos no campo de oposição ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), a disputa poderia caminhar para uma polarização direta entre o atual chefe do Executivo paulista e Fernando Haddad (PT). Nesse cenário, candidaturas menores tenderiam a ter pouco peso eleitoral, o que poderia favorecer uma definição ainda no primeiro turno.
A possível entrada de França também mexe com a montagem das chapas ao Senado. Hoje, nomes como Simone Tebet (MDB), Marina Silva (Rede) e o próprio Márcio França aparecem no radar das articulações nacionais para apenas duas vagas. Caso França decida disputar o Bandeirantes, o arranjo poderia abrir espaço para uma acomodação entre os partidos aliados ao governo Lula.
O ex-governador é visto como um nome com capacidade de atuar em debates e redes sociais, além de ter histórico eleitoral em São Paulo. França já governou o estado após a saída de Geraldo Alckmin, em 2018, e disputou outras eleições majoritárias desde então.
A movimentação ocorre em um momento de indefinição no campo que tenta enfrentar Tarcísio. Kim anunciou que deixaria a disputa pelo governo para buscar a reeleição à Câmara dos Deputados. Paulo Serra, presidente estadual do PSDB e ex-prefeito de Santo André, também decidiu retirar sua pré-candidatura ao Palácio dos Bandeirantes e deve concorrer a deputado federal.
Com as duas saídas, partidos e lideranças passaram a recalcular seus espaços na eleição paulista. A decisão de Paulo Serra também abriu uma nova fase para o PSDB em São Paulo, que busca reposicionar sua atuação em um cenário marcado pela pressão da polarização nacional e pela tentativa de manter protagonismo político no estado.
A retomada do projeto de França, por sua vez, mostra que o campo governista ainda tenta encontrar uma fórmula para tornar a disputa mais competitiva. Ao mesmo tempo, evidencia a dificuldade do PT em sustentar sozinho uma candidatura estadual capaz de ampliar pontes para além da militância tradicional.
São Paulo volta a ser o centro da disputa política nacional. Entre a força da máquina estadual, os movimentos do lulismo e a busca por alternativas fora dos extremos, a eleição de 2026 começa a ganhar contornos de uma das batalhas mais estratégicas do país.